Como Trabalhamos

Proposta Pedagógica

Nossa proposta é o resultado da avaliação e reavaliação contínua de nossa ação. Acreditamos que o conhecimento é produzido no curso da história e que tem significação e valor enquanto vivido, compartilhado e acrescido do outro, com o compromisso crítico do constante aprimoramento balizado por padrões éticos.

A ideia é que o aluno pense, que saiba usar as ferramentas de acesso ao conhecimento, relacionando os diversos métodos, conhecimentos e saberes disponíveis para a aprendizagem. A Terra Firme entende que o aprendizado se dá de forma rica em um trabalho coletivo de compartilhamento, mas que a aprendizagem é sempre singular, construída pela criança na medida em que ela põe muito de si na pesquisa dos conteúdos e também na formulação do que é aprendido. Essa inter-relação entre os conteúdos e as características próprias de abordagem desenvolvidas por cada aluno e aluna é o que buscamos para formar seres pensantes e questionadores.

O objetivo, assim, é que a criança tenha prazer em pesquisar e que valorize o ato de relacionar conhecimentos como uma técnica que leva ao aprendizado. Acima de tudo, que goste de pensar e que seja parceira de si mesma nesse processo constante de aprender a aprender. E que respeite o outro e o valorize como elemento fundamental no processo de pesquisa, conhecimento e aplicação do que foi aprendido.

Nossa fundamentação está baseada em três teorias básicas:

Jean Piaget: para o teórico a aprendizagem é o processo que envolve a ação do sujeito sobre o objeto do aprender. Enfoca o desenvolvimento da inteligência e do pensamento lógico, visando possibilitar ao aluno a apropriação do conhecimento, utilizando o lúdico e a prática dos conteúdos na construção da aprendizagem. O aluno lida com situações análogas às que ocorrem na vida real, nas quais são necessárias a argumentação, a cooperação, o trabalho em equipe etc.

André Lapierre: é um método de comunicação não verbal (psicomotricidade relacional) que utiliza o jogo simbólico como meio de encontrar o outro e a si mesmo brincando.
Propõe trabalhos com grupos reduzidos, em espaço amplo, no qual o(a) psicomotricista relacional é o(a) estimulador(a) das relações. O corpo fala através do movimento e vive com seus desejos e frustrações, encontrando assim uma forma nova de convívio com as emoções e com o outro. São realizados jogos e brincadeiras livres, trabalha-se com vários objetos como bolas, arcos, cordas, tecidos e outros objetos que facilitam a comunicação não verbal.

Emília Ferreiro: foi discípula de Piaget. Insere o sujeito na construção da leitura e da escrita, dando à criança o contexto para compreender a função social da escrita. Na alfabetização as crianças são guiadas pelo desejo de pertencer ao mundo do letramento, por estímulos visuais e orais que as rodeiam. A teoria proposta por Ferreiro faz parte da Terra Firme a partir da Educação Infantil até alcançar o domínio da leitura e a produção de textos.

Metodologia de Projetos

Na Metodologia de Projetos o tema de pesquisa é escolhido pelo grupo e a proposta é estabelecer uma dúvida inicial como disparador do trabalho. Não há exatamente um roteiro preestabelecido, mas sim um conjunto de conteúdos a serem adaptados ao tema proposto. A pesquisa conta com a participação de todos os alunos e alunas, desde a fase inicial de coleta de dados, a partir da qual serão estabelecidas relações de conhecimentos, até alcançar a conclusão. Assim, com o auxílio dos professores e professoras, e da coordenadora pedagógica, estarão construindo essas relações e, nesse processo, serão incluídos no mapa conceitual os conteúdos a serem trabalhados.

Trabalhar com a metodologia de projetos implica o abandono da figura do professor e da professora como mero transmissor de conhecimentos. Em vez disso, deve se tornar um pesquisador que, junto com o grupo de alunos e alunas, se empenha na tarefa proposta. O aluno, por sua vez, ocupa o lugar do sujeito no processo de aprendizagem, deixando para trás a passividade proposta pela pedagogia tradicional. A proposta é que a escola seja um espaço cultural de incentivo à aprendizagem, promovendo ao aluno o papel de pesquisador que constrói o seu próprio conhecimento, buscando seus próprios saberes, fundamentados em conhecimentos teóricos e práticos.

Mapa Conceitual

Um mapa conceitual é uma representação gráfica de uma rede de conceitos que vão se ligando e relacionando em um trabalho coletivo de construção, para possibilitar uma ampliação da rede de conhecimentos dos alunos e alunas e da turma como um todo, na medida em que esses conceitos vão sendo mais conhecidos e relacionados entre si. É uma técnica significativa que possibilita a ampliação da rede de conhecimentos pois alunos e professores passam a “conhecer” mais sobre determinado assunto. Os mapas são traçados por alunos e professores desde o início do semestre e, ao final, as turmas realizam uma Mostra do Trabalho de Projetos com a apresentação do conteúdo trabalhado. Os Mapas também auxiliam a avaliação individual e do grupo.

Psicomotricidade Relacional

A Psicomotricidade Relacional é um método criado por André Lapierre com fundamentos na teoria de Henry Wallon, Jean Piaget e Wilhelm Reich, Freud e outros, que valoriza a comunicação não verbal como facilitador das relações interpessoais e consequentemente da aprendizagem.

É por meio do nosso corpo que mostramos os nossos desejos, nossas frustrações, nossas necessidades, desde a mais tenra idade. Como nos diz André Lapierre “A qualidade da vida é a qualidade do ser e não do ter”.

A escola Terra Firme trabalha desde 1990 a Psicomotricidade Relacional em vivências semanais e quinzenais com os alunos, e bimestrais com os professores.

O aluno vivenciando semanalmente esse jogo simbólico, no qual trabalha em nível pedagógico seus conflitos, promove a possibilidade de disponibilizar-se às relações, o que favorece a aprendizagem pela troca. É quando vence as dificuldades e os torna livres para a aprendizagem e consequentemente para a vida.