Eixo Temático

Eixo temático 2017

Pensamos que o eixo temático de 2017 deveria partir da preocupação com um mundo onde falta ética, memória, consciência crítica, respeito, delicadeza, sensibilidade, filosofia… e nos propomos a pensar o Humano como princípio e a Arte como forma de expressão.

A discussão partiu da Ética e Estética e suas conexões com o conhecer-se (eu) e com o conhecer o outro (ele/ela); provocando um diálogo entre os opostos que podem resultar em sínteses variadas (nós).

A diferença que encontramos no outro pode servir como um espelho a partir do qual cada pessoa mergulha dentro de si e faz suas escolhas.

A criança olha para si no olho da mãe; nosso olho é um espelho; o outro me constrói; os outros me constroem! A aprendizagem social é como um jogo de espelhos nos quais todos refletem e são refletidos e buscam fazer parte de uma dança na qual o ‘nós’ é importante sem perder de vista o ‘eu’.

A diferença, nas nossas vidas, é complementar e, assim como as pessoas são diferentes, os espelhos também são diferentes e refletem de forma distinta o que vemos de cada um de nós.

Há espelhos que nos deixam mais elegantes, há outros que nos arredondam, há aqueles que diante de outro espelho refletem indefinidamente a mesma imagem… Há jogos de espelhos que fazem com que as imagens se desconstruam, outros deformam… Deslocamo-nos de nós em direção ao outro e acabamos nos vendo no olhar do outro, ao mesmo tempo em que o refletimos em nosso olhar.

Viver, viver com, conviver, requer esse jogo de olhares regados pelo respeito, por princípios comuns que nos lançam em um caminho do qual partimos do particular para o social, da vida privada para a vida pública, do singular para o plural, do uno para o coletivo e vice versa. Neste sentido, não é um caminho linear, mas um caminho no qual ‘ser’ e ‘sermos’ dialogam o tempo todo.

Ninguém é sozinho neste mundo, somos através do espelho, no qual entramos, criamos, recriamos e co-criamos a nossa condição de ser humano e de viver com seres humanos, conectando respeito, gentileza, sensibilidade, percepção, movimento, delicadeza e formando uma consciência crítica voltada para a construção de um mundo melhor e mais justo. Um mundo no qual aprendamos a julgar menos o outro e construir dentro de nós a firmeza, a flexibilidade, a capacidade de deslocamento, a lucidez e a capacidade de nos posicionar visando o bem estar de todos.

Um exercício para todos nós, participantes da comunidade da Escola Terra Firme.

Eixo temático 2016

Como acontece todos os anos, o grupo de profissionais da Escola Terra Firme reuniu-se, no dia primeiro de fevereiro, para construir o Eixo que será referência para os projetos, pesquisas e estudos em 2016.

Inicialmente, a diretora da Escola, Sandra Cornelsen, expôs ao grupo o tema disparador para a construção do Eixo Temático. Ela ressaltou a necessidade de todos, como equipe, aperfeiçoarem a tolerância, a capacidade de acolhimento e a cooperação. Dessa forma, propôs revisitar o tema da “Não Exclusão”, tão valorizado e discutido na história da escola. Na sequência, Sandra trouxe mais um conceito norteador: a Arte como caminho, como ferramenta, como objetivo.

Na parte da manhã e durante toda a tarde, o grupo, sem ver o tempo passar, levantou e debateu ideias a partir desses elementos. Discutiu a diferença entre tolerar e aceitar; falou de empatia, alteridade e respeito e compreendeu que, na relação com o outro, é preciso conhecer, conhecer-se e fazer escolhas, além de aperfeiçoar a capacidade de lidar com as diferenças para as quais não estamos disponíveis no primeiro momento.

Para acolher, é preciso também criar uma linguagem comum, reconhecer os limites e colocar limites estruturantes, que fazem parte do todo escolar, mantendo uma unidade. É preciso olhar, escutar o outro, ser olhado, ouvido, deixar marcas significativas e deixar-se marcar na relação; tocar e ser tocado não apenas fisicamente, mas afetivamente e cognitivamente, com reciprocidade.

No percurso da discussão, foram abordadas temáticas como o viver experiências autênticas, respeitar a diversidade de possibilidades em cada uma delas, aprofundar, provocar o pensamento e a reflexão. Formalizaram-se perspectivas de abrir janelas para flexionar o já conhecido, deixar-se penetrar pelo saber, fazer e sentir do outro e vice-versa, criar canais de acesso para a relação e para o conhecimento.

O grupo compreendeu a importância de viver o tempo, dar tempo, dar-se tempo, pedir tempo para que seja possível não se contentar com os currículos já instituídos, mas ir além, fazer a diferença como instituição escolar, continuar o processo de identidade que está sempre em movimento como um processo de metamorfose.

A participação na construção do eixo foi empolgante e todos deram contribuições elucidadoras. Os professores de música, por exemplo, contaram que existe, entre dois tempos fortes de uma composição musical, o “contratempo”, que pode ser entendido como um tempo dentro do tempo. Essa imagem animou o grupo e se pensou bastante sobre o assunto e chegou-se, assim, ao Eixo Temático de 2016:

“É TEMPO DE CRIAR TEMPO!”

Apoiando-se na metáfora da música, houve o entendimento que, nessa expressão, as duas palavras “tempo” são o “tempo forte” e o “contratempo” será CRIAR, não com pressa. CRIAR nas artes, nas ciências, nas relações, para que a melodia se faça.

É tempo de criar, tempo para conhecer, escolher, acolher, se colocar no lugar do outro, para olhar, para escutar, deixar marcas, pensar, flexionar os pensamentos, para criar canais de acesso ao outro, aprofundar as informações, sair da superficialidade, construir projetos, não apenas a partir do nome do eixo, mas a partir de tudo que foi pensado em sua construção coletiva. A ideia é valorizar a marcha, na qual surgem os tempos fortes e os contratempos!

Eixo temático 2015

No dia 17/12/2014 o grupo de profissionais da Escola Terra Firme se reuniu para discutir o eixo de pensamento e ação, em torno do qual irá se constituir toda a práxis educativa e pedagógica da Escola Terra Firme no ano de 2015. Como todo ano, a diretora pedagógica da escola – Sandra Cornelsen – sugeriu um tema para discussão para que, a partir dele, se construísse o Eixo Temático.

Esse exercício, além de realizar uma construção coletiva, exige que se chegue a uma referência que tenha sentido durante todo o ano de 2015, para todos os níveis de escolaridade e que inclua a aprendizagem dos alunos e alunas e dos(das) profissionais de todas as instâncias da escola, assim como das famílias.

O tema

Sandra sugeriu a discussão de um tema que tem origem na história do Brasil, mas, também, está muito ligado a tudo que vivemos em 2015 em todo o mundo: a Ética no Coletivo, focando a necessidade de uma Educação Política… Um eixo temático como o de 2000, quando chegamos ao tema “Brasil, mostra sua cara” e todas as implicações que poderiam permear as aprendizagens do ano.

O grupo de profissionais falou do eixo anterior, “…Caminhos para evolução…” e decidiu que é preciso falar sobre essa evolução a partir da vida em grupo, da coletividade, da ética necessária para a convivência e chega à primeira indagação: O que é uma educação política?

A discussão

As turbinas começaram a se aquecer e várias ideias foram levantadas. A Política foi definida como a arte de governar a “polis”, a cidade, mas também como a arte de dialogar, de exercitar o respeito às divergências, opondo-se sem desrespeitar o outro. Falou-se do cuidado com o outro, sem submissão, de alteridade e comprometimento.

De acordo com o grupo, Política, numa dimensão ampla, pode ser entendida assim:

A arte de articular os opostos;
Ser empático, desenvolver atitudes empáticas;
Ser honesto consigo e com o outro;
Tomar consciência do que se quer e do que não se quer; do que é importante à coletividade;
Assumir posições e ações; sair do nível de culpar e ser culpado;
Dar-se o direito de errar, de re-tomar, de re-fazer a partir do diálogo com o outro;
Ser solidário;

Saber frustrar-se; aceitar o momento sem submeter-se; gerenciar as emoções; desenvolver o auto-controle a partir de mecanismos metacognitivos de auto-avaliação constante e de respeito ao coletivo.

Nesse ritmo, o debate legou à palavra “Resiliência”, que significa viver em situações adversas sem desistir; encontrar caminhos; continuar buscando e fazendo; e travou um debate acerca de que valores deveriam reger, então, a aprendizagem política na Escola Terra Firme, falando de valores, retomada de valores, inversão de valores, crise de valores e chegando a algumas definições:

Respeito – articular o eu, o outro e o ambiente;
Humildade – aceitar os próprios erros, buscar novas possibilidades, gerenciar as emoções, articular controle e descontrole;
Conhecimento – de si, do outro e do contexto, tomar consciência.

E, nesta discussão, o grupo percebeu o quanto o significado das palavras evocadas é diferente para muitos que ali estão presentes. Que muitas vezes somos artistas para dar continuidade aos nossos objetivos. Houve, então, a discussão do significado desses valores para as famílias. Como elas interpretariam a intenção da escola? Famílias possuem diferentes valores.

Concluindo…

Ponderou-se que o papel da escola não é ser a soma dos valores das famílias, mas ser espelho, auxiliar na tomada de consciência do que se vê ao se deparar com as realidades: discuti-las, esmiuçá-las, compreendê-las e realizar ações preocupadas com a coletividade, com a convivência e com o cuidado que precisamos ter com os bens comuns.

O grupo ponderou e considerou que ÉTICA/POLÍTICA/VALORES são conceitos que precisam ter seus sentidos desconstruídos, discutidos e reconstruídos no atual panorama histórico. Esse é o papel da escola – ensinar a pensar sobre o que se faz e fazer o que se pensa. E a partir do tema levantado pela Sandra, realizar esta ação com ética, considerar a diversidade que compõe a coletividade, discutir o papel do cidadão em nosso país.

Ficaram nítidas as questões centrais:

É possível ser Brasil?
Somos Brasil?
Mostrar a Cara?
Mostrar a alma?
Abrir a mente?
É possível a Educação Política na escola?

Apostou-se que sim. Também enfatizou-se o uso das artes no dia a dia do brasileiro. E que usar a arte de ser e viver é um belo caminho para colocar os fatos da vida no espelho e discuti-los, conhecê-los mais profundamente, abrindo caminhos para a construção de novas possibilidades de ser brasileiro, cidadão. E por que não Cidadão do Mundo? Assim, a educação política na Escola Terra Firme teria como ponto central a Arte de Ser Cidadão e Viver a Cidadania, respeitando, pedagogicamente, as especificidades e os diferentes níveis de compreensão de cada série e idade.

Depois de uma manhã e meia tarde de conversas e reflexões, se chegou ao Eixo Temático que servirá de referencial às ações educativas de nossa escola:

A ARTE DE SER E VIVER…

Eixo temático 2014

No dia 19 de dezembro de 2013, o grupo de professores da Escola Terra Firme reuniu-se para construir o EIXO TEMÁTICO de 2014.

Desta vez, a reunião aconteceu no final da semana pedagógica e ainda no ano anterior ao da aplicação do Eixo. E, mesmo depois de um ano de intenso trabalho, professores e professoras, de todos os níveis de ensino, estavam com muita energia para juntos construir o tema em torno do qual acontecerá todo o trabalho educativo de 2014.

Movido pela necessidade de mudar, sem perder as referências, o grupo listou palavras que falavam da história, de “re-construções”, de “re-conhecimento”, de resgate, ao mesmo tempo em que trouxe palavras que indicavam transformação, mudanças, futuro… E outras que falavam de atitudes esperadas de um aprendiz, como: compromisso, respeito, delicadeza…

Assim, foram necessárias pouco mais de quatro horas de discussão e reflexão. Nesse tempo, apareceram os objetivos do ano e as justificativas desses objetivos, até que o grupo foi chegando à essência de tudo isso e sintetizou o Eixo Temático.

A integração das primeiras ideias iniciou com a palavra “Equilibração” que segundo Piaget quer dizer “equilíbrio em ação”. O grupo falou de equilíbrio e desequilíbrio e o quanto um é importante para a existência do outro.

Foi pensada, então, a “escuta”, a “auto-escuta” e sua importância para uma relação educativa que supõe o exemplo. Na reflexão de que um educador precisa conhecer-se para conhecer o outro e instigá-lo para o conhecimento, pensou-se em devolução, em receber e saber devolver; mais um pouco, brincamos com a palavra e ficou assim “De-evolução”. E por que não Evolução? Então vamos pensar sobre o que quer dizer Evolução!

E todos fizeram considerações. Evoluir não é bom nem ruim, é um processo que acontece a partir da interação de um elemento com o ambiente. Evoluir é mais do que adaptar-se. Então o grupo pensa na música:

Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia
eu não encho mais a casa de alegria
os anos se passaram enquanto eu dormia
e quem eu queria bem me esquecia
Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Não vou me adaptar
Não vou me adaptar…

Discutimos sobre o sentido da palavra “adaptação” no cotidiano, para nós, para Piaget… E mesmo entendendo que adaptação para Piaget não indica moldar-se, preferimos não arriscar essa palavra.

Voltamos então para a palavra “evolução” e concluímos que Evolução para nós quer dizer, como no dicionário, “Desenvolvimento e transformação de ideias, sistemas, costumes, hábitos…” Pensamos na palavra “re-evolução”, evoluir de novo; mas concluímos que se evolução significa desenvolvimento, processo, não seria preciso o prefixo que indica repetição.

Brincando com as palavras, alguém diz: “Firme é meu chão… Caminhos para a evolução”. A partir daí muitas combinações com o hino da escola foram feitas. … passos largos para a evolução; … passos para a evolução; … no compasso para a evolução e outros. Mas alguém defende uma nova ideia – partir do individual para o coletivo. Diz, também, que é preciso reconhecer o que já construímos e então partirmos para novos caminhos… Assim fica a sugestão: Reconheço meu chão, caminhos para a evolução.

Finalmente, foi representada aquela intenção de reconhecer a história da escola, os valores defendidos, os fundamentos de toda a construção e, ao mesmo tempo, abrir-se, colocar-se disponível para trilhar novos caminhos, assimilar as novidades, acomodá-las no sentido de deixar os esquemas já existentes se modificarem e equilibrarem-se no movimento das novas ações… E assim, evoluir.

Reconhecer o chão é o primeiro passo para explorarmos outros caminhos!