Crianças e familiares levam para a escola algo para trocar e saem da Feira com novos brinquedos e/ou livros, ocupando o espaço dos objetos que foram trocados e que, certamente, estarão fazendo a alegria de outras crianças.

Crianças e familiares se inter-relacionam no ato de trocar livros e gibis, brinquedos deixados de lado e roupas.

A Terra Firme promoveu, no dia 09 de novembro, mais uma Feira da Troca, uma oportunidade de crianças e pais se desfazerem daquilo que não usam mais e levar para casa muitas novidades. O evento ocorre uma vez em cada semestre e tem o objetivo de promover a interatividade e a capacidade de negociar, exercitando a prática consciente do consumo e oferecendo a possibilidade de renovar o conteúdo da caixa de brinquedos, da estante de livros e do armário de roupas.

Diana Padovani Pece está no quarto ano, foi uma das primeiras a chegar à Feira e a primeira a ter os seus produtos expostos, graças à sua agilidade. A perspectiva dela é se livrar do que não usa mais e conseguir coisas novas em troca.

“Trouxe brinquedos com o quais não brinco muito e outras coisas que não quero mais, não uso. Eu mesma escolhi e minha mãe só ajudou a botar na sacola. Vou acabar de arrumar as minhas coisas e ver o que tem por aí para trocar”, disse, enquanto terminava de expor seus brinquedos, livros e roupas.

Uma prática de renovação – Larissa Marsolik é mãe de Igor, do Jardim III, de Luiza, do quarto ano, e de Bárbara, que não estuda na Terra. Ela e o irmão, Alessandro, ajudaram a selecionar e a distribuir os objetos, principalmente brinquedos, que estavam ali para serem trocados e que atraíam a atenção de muitas crianças e familiares. Eles contam que as crianças esperam o ano todo pelas Feiras da Troca e que vão separando as coisas durante o tempo, o que não impede de acontecer que, na véspera da Feira, um ou outro brinquedo seja retirado da sacola que vai para a troca. “É um exercício de desapego e de sustentabilidade, uma prática de renovação importante para as crianças e que, quando vai chegando mais perto da feira, aumenta em intensidade na seleção do que vai ser trazido, como aqueles gibis que já foram lidos várias e várias vezes, assim como também na expectativa das novas coisas que vão para casa”, comentou.

Larissa contou que na última Feira da Troca levou para a escola uma sacola e saiu com o porta-malas do carro cheio. Ela apoia essas iniciativas da Terra Firme, pois despertam o interesse e a iniciativa das crianças e contagiam as famílias. “Na última Feira Nós da Terra, elas se mobilizaram, fizeram doces e um bolo para vender, eu ajudei na administração apenas. O dinheiro que arrecadaram está destinado à realização de uma atividade cultural que estamos programando”, disse.

Alessandro, seu irmão, entende que a mobilização das crianças é válida. “Elas estão aprendendo a conversar melhor, expor seus interesses e ouvir os do outro, isto é, a negociar e também a se renovar na troca”, explicou.

Novos valores – Maria Gabriela, do primeiro ano, estava muito ativa na Feira. Depois de, juntamente com o pai, Rodrigo Santos, arrumar a sua “vitrine” de objetos a serem trocados, foi correr pela Feira para ver o que lhe atraía a atenção. O pai ficou tomando conta da “banquinha” e se disse encantado com o evento, que promove a oportunidade dos alunos e alunas experimentarem a felicidade no ato de interagir com outra pessoa em uma troca. “O mais importante é que o valor monetário do objeto não tem tanta importância. Uma criança pode trocar um brinquedo caro por outro muito simples e ficar feliz por si própria e por ver a alegria da outra criança. O que vale mais é o ato da troca”, falou.

Segundo Rodrigo, o evento da Terra Firme incentiva a reflexão e a prática relacionada a conceitos fundamentais para a vida, como o senso de justiça e de igualdade, deixando em segundo plano a ideia de que o importante é levar vantagem na troca, situação em que alguém ganha e alguém perde. “É uma iniciativa muito bacana, estimula a iniciativa da criança, faz pensar sobre a noção de justiça e sobre a relatividade dos valores envolvidos numa troca humana compreendida como algo que pode fazer feliz a mim e ao outro”, afirmou.

Texto: Luiz Geremias
Fotos: Gilson Camargo

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