Com o apoio da escola, familiares formam grupo de consumo de orgânicos e todos, consumidores e produtor, se mostram satisfeitos. Nutricionistas apoiam a ideia e afirmam que iniciativa representa a formação de um oásis de segurança alimentar.


Ivo Melão (CPRA), Luciano de Almeida (UFPR), e o agricultor Augusto Jacomite, durante reunião de apresentação. 

Um grupo de familiares de alunos e alunas da Escola Terra Firme se organizou e está enriquecendo a alimentação com produtos orgânicos de excelente qualidade a preço justo. Eles estiveram, no início de maio, em reunião com Ivo Melão, do CPRA (Centro Paranaense de Referência em Agroecologia), e com Augusto Jacomite, agricultor certificado pela Rede Ecovida de Agroecologia (reconhecido pelo Ministério da Agricultura), e formalizaram sua participação. A partir de então, passaram a receber semanalmente uma sacola com produtos fresquinhos, saídos da horta diretamente para as suas casas.

A iniciativa contou com a liderança do professor de agronomia da UFPR Luciano de Almeida, pai de Giovana Weiss, do 2º ano, e está integrada ao projeto Cestas Solidárias, do CPRA, tendo sido classificada como a formação de um “oásis de segurança alimentar” pelas nutricionistas Silvia Rigon e Maria Teresa Gomes de Oliveira Ribas.

Sustentabilidade – Daniel Félix é pai de Thayala La Puma Delgado, aluna do grupo 3, e conta que entrou no grupo pois entende que a iniciativa de conexão entre consumidores e produtores rurais é um dos caminhos que levam à sustentabilidade, tanto no plano regional quanto nacional, e fala dos benefícios que as famílias têm com essa conexão: “Facilita a vida, pois nos dá acesso a verduras, legumes e frutas de qualidade e permite que conversemos diretamente com o produtor, o que aumenta a confiança no produto que consumimos”.

Daniel diz ainda que outro ganho é o da integração entre as famílias. “Isso faz com que haja um ponto de interação a mais na comunidade Terra Firme por meio desse grupo. Eu já vi pais compartilhando receitas, pais ajudando outros pais e isso aumenta a integração entre as famílias, o que, para mim, é um diferencial Terra Firme”, conclui.

Voto de confiança – Antonio Augusto Poncio Jacomite é o produtor agroecológico que enche as cestas que abastecem o grupo. O Sítio Tia Janda, de sua propriedade, fica em Bocaiúva do Sul, local onde foi criado e onde mais gosta de estar, trabalhando na lavoura e aproveitando os benefícios da vida rural. Ele diz que a formação de grupos como o da Terra Firme é um incentivo para a sua permanência no campo e um estímulo para que continue fazendo da melhor forma possível o que sabe fazer, satisfazendo as famílias consumidoras. “As pessoas me dão um voto de confiança, consomem os produtos que produzo e financiam a produção, o que me dá mais tranquilidade e uma renda melhor do que a que eu teria se tivesse que deixar a lavoura e ir para a cidade”, explica.

Relação mais justa entre campo e cidade – Ivo Melão é engenheiro agrônomo e responsável pela Área de Socioeconomia, Comercialização e Consumo do CPRA. Segundo ele, o projeto Cestas Solidárias garante alimentação fresca, saudável e diversificada a um preço acessível, trabalhando apenas com agricultores agroecológicos que garantem a qualidade de seus produtos. São atendidos grupos formados em escolas, associações, paróquias, empresas ou condomínios, que demandam ao CPRA o estabelecimento de uma relação direta com o produtor rural. “Assim se estabelece uma relação mais justa entre o campo e a cidade, com o apoio ao agricultor e a satisfação dos consumidores, que têm em sua mesa alimentos saudáveis e de boa qualidade”, diz.

Mais informações sobre o CPRA e o projeto Cestas Solidárias podem ser obtidas nos endereços http://www.cpra.pr.gov.brhttp://www.cpra.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=599&tit=Projeto-Cestas-Solidarias-forma-mais-um-grupo-iniciativa-ja-conta-com-mais-de-50-grupos-em-Curitiba-e-regiao-metropolitana.

Oásis Alimentar – Silvia Rigon é nutricionista, professora do departamento de nutrição da UFPR e membro da atual gestão do Conselho Municipal de Segurança Alimentar (Comsea) de Curitiba. Tia do aluno Mauricio Burmester do Amaral Santos, do 6º ano, ela afirma receber com muita alegria a notícia de que a Escola Terra Firme apoia esse projeto que promove, segundo ela, a economia solidária e o consumo consciente. “A escola, enquanto espaço de educação cidadã, assumir a perspectiva de apoiar essa iniciativa dos pais de alunos, só merece elogios. A iniciativa merece todo o apoio possível, porque vai construir história, vai fazer uma diferença muito grande para os agricultores e agricultoras e para as famílias que participam do projeto”, diz.

A também nutricionista Maria Teresa Gomes de Oliveira Ribas, professora do curso de Nutrição na PUC/PR e representante do Conselho Regional de Nutricionistas/8ª Região no Consea/PR, concorda com Silvia e diz por que a iniciativa promove o que ela chama de um “oásis de segurança alimentar e nutricional”: “Hoje se discute a existência de ‘desertos alimentares’, que são locais em que a pessoa tem que percorrer uma grande distância para encontrar alimentos saudáveis in natura, isto é, comida de verdade. Também há os ‘pântanos alimentares’, lugares em que há uma super oferta de alimentos ultraprocessados. Já os ‘oásis’ se referem a onde há um encurtamento da distância para obter comida de verdade e, nesse sentido, a Escola Terra Firme está tomando a iniciativa de promover a segurança alimentar e nutricional, fortalecendo o papel da agricultura familiar”, pondera.

Texto: Luiz Geremias
Fotos: Gilson Camargo

#TerraFirme30anos