Lembranças preciosas guardadas em Terra Firme
Em 2016, os alunos da turma do 4° ano enterraram uma cápsula do tempo embaixo da árvore mais cobiçada da escola. Essa árvore servia de apoio para leitores vorazes e descanso para crianças de bochechas vermelhas de tanto correr. Uma cápsula foi enterrada no coração da escola.
Esta cápsula foi mais do que um recipiente para guardar objetos importantes, foi uma chance de unirmos o passado e o futuro. Nossa cápsula não podia ficar enterrada por séculos, como a do Miguel de Cervantes, mas ficou guardada por cinco longos anos.
Nesses cinco anos em que ela ficou enterrada, muita coisa mudou: os alunos amadureceram, alguns amigos se despediram, outras pessoas passaram a fazer parte deste grupo... Porém, sempre que olhávamos para aquela árvore (a maior da escola), lembrávamos das fotos que guardamos, lembrávamos das cartas que escrevemos, do livro de contos preferidos da turma (Contos da Rua Brocá*), dos desenhos!
A pandemia nos impediu de convidar todos os colegas que gostaríamos de unir ao redor daquela grande árvore, mas as lembranças já haviam brotado e criado raízes, estávamos todos conectados pela sabedoria de uma árvore que soube nos acolher e guardar nossos segredos como uma amiga.
Pelas mãos do seu Marcos a enterramos e pelas mãos do seu Marcos a desenterramos. No dia em que ela saiu da terra, o presente se fez passado e esbarrou no futuro. Foi emocionante.
Esta turma se formou, floresceu, germinou. Hoje, são adolescentes preparados para a vida, mas que mantêm as lembranças mais preciosas guardadas na Terra Firme.
Mara Ferreira, professora de Língua Portuguesa do Fundamental II