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Aulas presenciais seguem protocolos indicados pelas autoridades sanitárias

As aulas presenciais estão sendo retomadas com prudência. O cuidado com o cumprimento dos protocolos de segurança, garantindo distanciamento e constante higienização, exige que tudo seja feito de forma lenta e organizada. No plano didático, o aprimoramento da equipe pedagógica, bem como de alunas e alunos, no uso das plataformas e na estratégia de aprendizagem significativa, presencial e on-line, tem garantido o crescente aproveitamento dos recursos disponíveis.

A Terra Firme entende que o momento é delicado e complexo, por isso traça seu planejamento com responsabilidade e compromisso com a saúde e o bem-estar de seus alunos e alunas. Em 2021, a escola se preparou para receber as crianças e adolescentes de forma segura e sempre acolhedora. A experiência tem demonstrado que, observando rigidamente procedimentos básicos de higiene e distanciamento, é possível a presença na escola de uma parte dos alunos, aproximadamente 30% do total, divididos em pequenos grupos e em ambientes distintos, para estudar, rever professores e colegas e estreitar laços afetivos.

Minimizar riscos

Cuidado e segurança demandam procedimentos ordenados e práticos. A equipe pedagógica, bem como os familiares e estudantes, precisam seguir os protocolos recomendados pelas autoridades sanitárias para minimizar todo e qualquer risco de contaminação. Isso exige prudência e paciência, bem como determinação e controle do ambiente. A atenção ao estado emocional de todos é constante e a direção, bem como o corpo docente, coordenações e orientação pedagógica, estão sempre presentes e disponíveis.

Para a adoção plena dos procedimentos de segurança, algumas alterações e adaptações no fluxo de circulação no ambiente da escola foram feitas. Somente alunos e alunas podem entrar no ambiente pedagógico, em horários e dias determinados. Todos têm a temperatura aferida e passam por um tapete sanitizante, sendo vedada a entrada de quem apresentar qualquer sintoma gripal. Desde a entrada, o uso do álcool gel 70% é obrigatório e a higienização das mãos deve ocorrer a todo momento. Nenhum material de uso pessoal pode ser compartilhado.

Circulação e uso dos espaços físicos

É possível comprar o lanche na cantina ou levá-lo preparado de casa, com os alimentos cortados, descascados e embalados, de modo a que a professora não precise, salvo caso de extrema necessidade, tocar no alimento. Tanto o almoço quanto o lanche serão consumidos prioritariamente ao ar livre, sempre respeitando o necessário distanciamento, monitorado pela professora e sua auxiliar.

É importante lembrar que as famílias devem enviar, em um recipiente higienizado, duas máscaras, além da que a criança ou adolescente usará para entrar na escola. Haverá a troca da máscara logo após o lanche.

O uso dos banheiros e demais espaços físicos será realizado de forma organizada, sempre acompanhado por um membro da equipe pedagógica, que está preparada para manter os espaços limpos e organizados conforme as orientações da vigilância sanitária. Após a utilização por um grupo de estudantes, haverá a devida higienização no espaço, antes que outro grupo o ocupe.

Oficina esclarece e propõe envolvimento de familiares no processo de alfabetização

No dia 04 de março, pais e mães dos alunos e alunas do 1º ano participaram, em interação on line, da Oficina de Alfabetização da Escola Terra Firme. O objetivo foi envolver as famílias no processo de aprendizado da leitura e da escrita, vivenciado pelas crianças não apenas na escola, mas principalmente em casa, esclarecendo como se dão os passos em direção à alfabetização. A oficina propõe uma vivência singular aos familiares presentes, proporcionando que adultos relembrem o momento em tiveram o primeiro contato com as letras.

Essa integração à proposta pedagógica da escola contribui para a participação ativa dos familiares na construção de conhecimentos das crianças, que resultará no domínio da língua e marca uma importante conquista para todos os envolvidos. É o que pensa Sandra Cornelsen, fundadora e diretora pedagógica da Terra, que abriu a oficina apresentando a orientadora pedagógica Ana Carollina Brofman – ressaltando seu importante trabalho no acolhimento e atenção a alunos, alunas e familiares – e se pôs à disposição dos presentes.

Fundamentação teórica

Sandra avalia a Oficina de Alfabetização como fundamental, principalmente na realidade do distanciamento social. “Precisamos saber como as famílias estão, mostrar como trabalhamos e, neste momento em que os pais e mães não podem entrar na escola, a oficina permite que eles se conscientizem acerca da proposta pedagógica da Terra Firme. É muito importante a participação das famílias na educação e nós valorizamos isso”.

Ela define a fundamentação teórica que embasa a proposta pedagógica da Terra citando Emilia Ferreiro, uma psicopedagoga argentina radicada no México. Ferreiro foi discípula de Jean Piaget e trabalha com a noção de que o desenvolvimento cognitivo é uma construção contínua, trazendo o foco de Piaget, que estava na matemática, para o aprendizado da língua. No ponto de vista de Ferreiro, a alfabetização começa mesmo antes do ingresso na escola, com cada criança se desenvolvendo no seu ritmo próprio. “A criança aprende a ler quando abre os olhos, quando começa a tentar entender o mundo, e não para mais. Há pais que comparam o desempenho dos filhos com o de outras crianças, mas isso não deve ser feito e deixamos claro isso na oficina. Cada um tem o seu tempo”, disse. A diretora citou, ainda, a base teórica de Andre Lapierre, que, com a psicomotricidade relacional praticada na Terra, ajuda bastante no processo, pois a criança desde cedo aprende a ler o seu corpo.

Aprendendo com a construção de hipóteses

Também citando Emilia Ferreiro, a professora Solange Jankowski Palmeiro, do 1º ano X, carinhosamente conhecida como “Xuxa”, disse aos pais e mães presentes que o ambiente escolar da Terra Firme é alfabetizador, facilitando a aproximação das crianças com as letras e palavras. Além disso, ela explicou, em linhas gerais, como se dá a aprendizagem. “A criança constrói hipóteses, uma sequência delas, testa-as e produz sistemas interpretativos para entender o que a cerca. Passa por etapas, vai e volta nelas, descobre coisas e é assim que tem prazer em aprender”.

Katia Bassetti, do 1º K, falou sobre a diferença da prática pedagógica contemporânea em relação àquela praticada no passado. “Antes, o foco estava no professor que ensina, agora está na criança que aprende, que traz a sua história, o seu jeito próprio, para o processo de aprendizagem”. Com a ajuda de slides, pôde expor com clareza os passos que a criança dá para alcançar o domínio da leitura e escrita. Com muito interesse na apresentação, que distinguiu as hipóteses “silábica”, “silábica com valor sonoro”, “silábica alfabética” e “alfabética”, os participantes da oficina acompanharam as formas de escrita que a criança que se alfabetiza vai construindo, demonstrando seus avanços.

Aprender a ver, aprender a ler

Xuxa e Katia orientaram os pais a acreditar que seus filhos e filhas podem aprender. Sugeriram fazer dos momentos comuns oportunidades de aprendizagem, deixando recados simples escritos para aumentar o repertório da criança que se alfabetiza (“durma bem”, “feche a geladeira”, por exemplo) mostrar o título de um livro, fazer junto a lista do mercado. A leitura do livro “O menino que aprendeu a ver”, feita por Xuxa e acompanhada pela exibição de cada página na tela, foi bastante ilustrativa. A história narra as aventuras cognitivas de quem começa vendo, na rua, as placas cheias de rabiscos e desenhos e termina entendendo que aquilo que interpretava como desenhos eram, na verdade, letras.

Os familiares formularam questões, como sobre a preocupação de oferecer estímulos antes do tempo certo e sobre o aprendizado conhecido como “silabação”. Foram esclarecidos de que há uma diferença marcante entre estimular e forçar a aprender algo que a criança ainda não tem condições de aprender. Os exercícios de caligrafia, por exemplo, não são recomendados até que a criança tenha domínio da escrita. Quanto à silabação, a percepção da equipe pedagógica é que o aprendizado das letras e palavras tem um grande ganho intelectual para as crianças, pois estas trabalham com a formação de símbolos não com unidades sonoras. Afinal, conforme lembrou a professora Katia Bassetti, “Nem sempre B+A forma BA”.

Uma cápsula para viajar no tempo e reviver memórias afetivas

Os alunos do 9º ano da Terra Firme plantaram uma árvore e, junto a ela, guardaram carinhosamente uma “cápsula do tempo”, contendo mensagens que somente serão desenterradas em 2030. Alunos e alunas registraram, para si mesmos e para os colegas, ideias e sentimentos que sentem como importantes neste momento em que estão concluindo o Ensino Fundamental e deixando a escola. A sensação de todos foi a de viajar no tempo, prevendo e projetando quem serão e o que sentirão, dez anos no futuro, quando a cápsula for aberta.

A orientadora pedagógica Ana Carollina Brofman explica que a proposta é marcar este momento histórico significativo, em um exercício socioemocional que estimula a reflexão sobre a passagem do tempo. O realce está nas lembranças significativas relacionadas aos vínculos formados durante o tempo em que estudaram na Terra Firme. “Nossos ex-alunos sempre têm esse vínculo muito forte com a escola e, de tempos em tempos, vêm nos visitar. Isso nos traz o aconchego das memórias e este projeto da cápsula do tempo nos dá a perspectiva de, mais uma vez, revivermos juntos essas lembranças”.

Sementes do Amanhã

O projeto ganhou o nome de “Sementes do Amanhã” e é especial porque representa o que sentem e pensam esses jovens que, em um contexto de distanciamento social, chegam ao final de um importante ciclo. Essa passagem do Ensino Fundamental para o Médio sempre foi, na Terra Firme, marcada por atividades de integração e congraçamento. Em 2020, porém, as medidas preventivas, determinadas pelas autoridades de saúde para conter o avanço do contágio da Covid-19, trouxeram uma situação bastante peculiar, com a restrição da proximidade física e, consequentemente, das festividades que simbolizam as conquistas realizadas e a perspectiva dos desafios que virão.

“O objetivo é registrar este fato histórico que estamos vivendo com a pandemia. Já foram realizados outros projetos do mesmo tipo, mas cada um tem o seu contexto específico. As lembranças descritas pelo 9º ano e inseridas na cápsula, enterrada junto às raízes da árvore que eles mesmos plantaram, vão compor um registro importante deste nosso tempo”, explica Ana Carolina.

Memórias afetivas

Davi Carneiro, aluno do 9º ano, gostou da experiência e revela ter expectativas para quando rever o que depositou na cápsula do tempo. “Escrevi coisas que eu sei que vão ‘dar gatilho’. Registrei acontecimentos, como o acantonamento e o acampamento, e falei dos melhores amigos”. Sua colega de turma, Michaela Gulin Peixoto, já faz projeções para o futuro. “É interessante, porque você escreve algo, um relato, que, sem este registro [que está na cápsula], provavelmente você não lembraria mais tarde”.

“As aulas on-line nos aproximaram ainda mais da escola”, diz mãe de aluno em depoimento

Marcela Berardi Roos Mattiazzo é mãe do Pedro, que estuda na Terra Firme, no Grupo III. Ela fez questão de encaminhar o seu depoimento à escola, comentando a sua satisfação com o modo que a Terra se reinventou e ofereceu aulas on-line atraentes, com conteúdos importantes e a atenção carinhosa que sempre foi a característica da relação da escola com os alunos e com os familiares.

Queridos profissionais da Escola Terra Firme.

Encaminho esse texto porque muitas mães de filhos na Educação Infantil de outras escolas me perguntam sobre o Pedro nas aulas, sobre a evolução dele, sobre ser “inúteis” ou ‘difíceis” as aulas on-line para crianças do infantil. Grata surpresa. Eu realmente esperava que, para o pré e para o meu filho, não haveria aulas on-line.

Escola nova, escolhida com muita atenção. O ano letivo começou, para o Pedro foi iniciado com muitas novidades, carinho, acolhimento, ele estava ansioso para o novo ano. Chegou lá, presente, e logo sentiu-se em casa, ouvido, firmando combinados, assumindo posições em sala de aula e fazendo parte de um todo, sentia-se realmente em casa, amando cada espacinho da escola, em especial o pátio, árvore frutífera e sua salinha de aula, que já estava “com a carinha deles”.

Pedro em seu primeiro dia de aula na Terra Firme.

Ele ficou tão à vontade, que nossos combinados de eu ser a primeirinha mãe da turma a chegar na saída da aula, cairam por terra. Quando eu chegava na porta da sala, muitas vezes ele estava feliz brincando (estátua, macaco Simão com a Profe Brunna), guardando coisinhas, divertindo-se ou escutando atento alguma historinha da Amandinha, que nem percebia que eu já estava por ali, ou, quando me via, pedia para ficar mais um pouquinho.

Mas, logo, toda essa rotina, essa coisa mágica, a escola dos sonhos, foi obrigada a mudar, fechar por um tempinho, em função da Pandemia de 2020, e teve que se reinventar, a toque de caixa…

Aos poucos, a escola foi se reorganizando para que fosse possível a turma se ver de uma forma um pouco diferente. O contato, tão precioso, passou a ser virtual. O abraço passou a ser virtual e as tardes do Pedro passaram a ser tão animadas e produtivas, no meio disso tudo que vem acontecendo! Além de muitas divertidas, com conteúdos leves e produtivos, as aulas on-line nos aproximaram ainda mais da escola, dos professores, dos colegas do Pedro, fizeram a diferença para a rotina em época de pandemia. Ajudaram muito na questão social, mídias e no próprio aprendizado.

No início a escola e os alunos estavam se adaptando. A escola só queria matar a saudade de cada um e saber como estavam… coisa mais linda! Já os alunos, conhecendo a plataforma, perdendo a vergonha e identificando o novo! Cada um no seu tempo!!! Em um mês, o Pedro já estava familiarizado e queria interagir, contar as novidades. Em cada encontro eu notava que a turma estava conseguindo estar mais ligada/conectada e, assim. aos poucos, as aulas virtuais foram tomando corpo.

Então, chegou a hora de mudar o projeto inicial, que não cabia mais para o momento. O tema escolhido foi “Terra: Nossa Casa”. Lindo de ver, nele é possível conhecer mais sobre as famílias, amigos, o planeta Terra como um todo. Nas aulas, noto que foi possível dar continuidade a conteúdos que são importantes para a idade do Pedro, como autonomia, interação, sentimentos, concentração e raciocínio lógico, estimulando a alfabetização, sem perder o foco no SER, no que realmente importa.

Resumindo tudo isso, para a minha família, foi uma grata surpresa. As aulas on-line da Escola Terra Firme vêm nos surpreendendo a cada encontro, notamos muita evolução. Amo a curiosidade e inteligência da idade e noto que os pequenos estão abertos a cada desafio que é trazido a eles. As aulas on-line podem se tornar uma parte importante da vida e rotina dos nossos pequenos. Além dos conteúdos, trazem ideias, criatividade (que para os pais anda faltando em meio a tanto caos, às vezes problemas e dias difíceis). Esse olhar da escola, trazendo movimento, dança, música, arte, cultura, jogos, brincadeiras, é excelente para o tempo que estamos vivendo.

Fico muito orgulhosa em fazer parte de tudo isso e notar que vem dando certo essa parceria, família e escola!

No nosso caso, ao estar realizando aulas em casa, nós nos entregamos, insistimos e compartilhamos informações com a escola. Para a minha família é uma experiência super positiva e trouxe ainda mais autoconfiança para o nosso pequeno, ele realmente ama. Damos todo o apoio necessário para que a coisa toda aconteça e ele possa tirar o maior proveito de toda a situação. Hoje, vejo com gratidão poder participar de mais um tiquinho da vida do meu pequeno. Por mais que ele fique e interaja sozinho nas aulas on-line, está em casa, o escutamos, observamos e acho incrível poder estar vendo como ele é em outros relacionamentos, como o que tem com a escola! Ah! Esse é outro mérito da Terra Firme: criar conteúdos próprio para as idades, leves, gostosos, que prendem a atenção e não exigem que os pais façam por eles.

Continuamos firmes e felizes com o que está por vir!

Só tenho a agradecer o carinho, amor e respeito, que é sentido por aqui. Obrigada pela qualidade e amor pelo que fazem.

Obrigada, Sandra Cornelsen, por este olhar ímpar, por entender o que realmente importa e faz sentido, isso é lindo e o mundo precisa disso. Por mais pessoas como você! A sua presença e trocas, tanto nas reuniões com os pais, como nas aulas on-line, demonstra exatamente toda essa importância que você oferece.

Um obrigada especial para a Maria Augusta, que nos acolheu e nos emocionou muito, somos eternamente gratos por tanto.

Um super obrigada para as Profes Brunna e Amandinha, vocês arrasam no dia a dia com esses pequenos.

E à todos os envolvidos, Rosane, Ana, Miss Lu, Profe Cris, Profe Cauê, Sandrinha, Duda, e demais membros da equipe Terra Firme: PARABÉNS!

Com muito carinho,

Pedro, Marcela, Rafael e Nicholas.

Fotos: Acervo da família

6º ano produziu e publicou revistas eletrônicas

Publicações são exemplos de interdisciplinaridade. Compartilham conhecimentos adquiridos em diversas disciplinas, com textos, fotos e ilustrações sobre história, geografia, ciências, cultura e atualidades. Até mesmo a culinária ganhou destaque em deliciosas receitas.

A turma do 6º ano da Escola Terra Firme produziu e publicou revistas digitais com conteúdos diversificados, significativos e atuais, organizando e compartilhando os conhecimentos adquiridos em seus projetos de estudo. A ideia surgiu na aula de Língua Portuguesa, ministrada pela professora Maria Carolina de Almeida Amaral, e se estendeu a outras disciplinas. A ferramenta digital utilizada foi o FlipBook, um aplicativo que possibilita a criação de livros e revistas eletrônicas com qualidade profissional.

“Tive a ideia e ia desenvolvê-la nas aulas de Língua Portuguesa, mas os alunos começaram a falar sobre a possibilidade de unir o que estavam aprendendo nas outras matérias”, explica Maria Carolina, a “Miss Carol”, que também ministra aulas de Língua Inglesa, do 2º ao 5º ano. Outros professores toparam participar e o trabalho se desenvolveu em um clima participativo. “Então, o que estava sendo trabalhado nas outras disciplinas se transformava em conteúdo para a revista. Em Espanhol, por exemplo, a professora Sarah [Sarah Pimentel Palacio Garcia] convidou alguns hispano-falantes para serem entrevistados pela turma. O material produzido nesses encontros foi depois elaborado para compor uma matéria da revista”.

Trabalho coletivo com escuta e diálogo

A professora conta que a turma foi dividida em pequenos grupos, com liberdade para construir a materialidade da revista da forma que preferissem, a partir das atividades propostas pelos professores. “Assim, ao longo do trabalho, fomos identificando as maiores dificuldades e questões do grupo. Discutimos, por exemplo, questões sobre manejo de ferramentas digitais, revisão e edição textual, diagramação e disposição de informações no texto, a importância da coleta de fontes confiáveis e direitos de autoria de escrita”, diz.

Segundo Miss Carol, além dos conteúdos, foi discutida a importância da escuta e do diálogo, com a reflexão acerca do papel de cada um no grupo, bem como do uso de ferramentas digitais. “Afinal, saber trabalhar coletivamente é, de muitas maneiras, uma das mais importantes habilidades que qualquer jovem pode desenvolver. A escolha do formato de revista eletrônica se deu porque a tecnologia desempenha um papel importante na vida dessas crianças e constatamos que são poucos os jornais e revistas voltados a esse público”.

Cabras selvagens invadem cidade em quarentena no Reino Unido. Fotografia: Christopher Furlong. Direitos autorais: 2020 Getty Images. Link para localidade original da imagem

Revistas abordam história, ciências, culinária e atualidades

Foram produzidas 3 revistas, abordando temas gerais – como a composição do planeta Terra e seus fenômenos naturais – e históricos – com ilustrações e textos sobre a estrutura social no Império Romano. Virando as páginas, também se encontram informações sobre as pesquisas científicas relativas à Covid-19 e as manifestações contra o racismo nos Estados Unidos, além de entrevistas, receitas culinárias e curiosidades, como invasões de animais às cidades durante a quarentena.

Acesse as revistas https://sites.google.com/escolaterrafirme.com.br/cubodeinformacoes

Experiência trouxe aprendizagem

A aluna Helena Marçal Menezes participou da produção de uma das revistas, a Ponto Final, e avalia a experiência de forma bastante positiva. “Foi legal, desafiadora e houve muita aprendizagem”. Segundo ela, o mais difícil foi o trabalho em grupo, com o natural atrito de ideias, mas as dificuldades foram vencidas. “Acho que foi um resultado bom pois conseguimos juntar personalidades totalmente diferentes em apenas uma revista, podendo fazer com que cada um se veja nela”.

Gunther Furtado é pai de Miguel, do grupo que produziu a Revista Bamm, e acompanhou o trabalho do filho. “Acompanhei o processo todo. O grupo se organizou muito rapidamente, foi bem natural o trabalho em equipe. Todo mundo fez um pouco”, explica. Segundo ele, apesar do Miguel preferir trabalhar sozinho, não teve problemas na integração com os colegas. O grupo entendeu que precisava ser prático e as dificuldades se limitaram a questões técnicas. “Eles entenderam a noção de que a revista tinha que ter um ‘jeitão’, foram dividindo tarefas e produzindo sem titubear. O que tiveram de dúvidas foram mais questões relativas a onde postar, como mandar de um lado pro outro”.

Reencontros com alegria, muito afeto e segurança

Depois de estarem tanto tempo distantes fisicamente da escola e dos colegas, os alunos e alunas da Terra Firme se reencontraram para matar as saudades e retomar, cuidadosamente, as atividades presenciais.

Foram encontros cheios de emoção, afeto e muitas brincadeiras, em dias e horários agendados especialmente para cada turma e realizados ao ar livre, seguindo todos os protocolos de segurança recomendados. A atividade socioemocional foi coordenada pela orientadora pedagógica Ana Carolina Brofman e abordou a relação de cada estudante consigo mesmo e com os demais, em uma perspectiva intra e interpessoal.

De volta à “segunda casa”

Matar as saudades é bom. Rever amigos e amigas é sempre um acontecimento para lembrar por toda a vida. E quando isso acontece ao mesmo tempo em que se reencontra o ambiente escolar aconchegante da Terra Firme, que crianças e adolescentes têm como a sua “segunda casa”, o afeto explode em manifestações de carinho e entusiasmo.

“Um reencontro emocionante”, definiu Cecília Furtado, do 9º ano. Para ela, foi significativo estar novamente com os colegas, com quem estava conversando apenas pela internet. Michaela Gulin Peixoto, também do 9º, também gostou do reencontro. “Foi legal. Percebi que as pessoas mudaram bastante durante esse tempo”, disse. Davi Carneiro, da mesma turma, classificou como “muito boa” a experiência. “Pudemos matar as saudades, ter um contato diferente daquele que nos habituamos a ter neste ano”.

Alice Alves e Elisa Vicente Kaltmaier, ambas do 8º ano, participaram ativamente das brincadeiras, mas gostaram mesmo é de poder ouvir e falar com os amigos e amigas, lembrando que os cumprimentos foram efusivos, mas feitos com acenos ou com os cotovelos, como convém neste momento. “Foi bom. Principalmente para ver todo mundo, poder falar pessoalmente”, explicou Alice. Segundo Elisa, foi uma experiência bem diferente da aula on-line, com a possibilidade de conversar e estar junto, mesmo com o distanciamento. “Foi bom poder estar com os amigos no mesmo ambiente e nos divertimos bastante”.

Cuidados necessários

As atividades foram realizadas com o uso de máscara e álcool gel, disponível em toda a escola. Na entrada, havia um tapete sanitizante e cada aluno e aluna teve a temperatura aferida.

Kits pedagógicos para estudar e matar saudades

As professoras da Educação Infantil prepararam kits pedagógicos para facilitar os estudos durante o isolamento. Quinzenalmente, as crianças têm em casa o material que precisam para realizar suas tarefas. E, quando vão buscar os kits, ainda aproveitam para matar as saudades do ambiente físico da escola, inclusive do pátio, com o gramado verdinho e muitas frutas no pé.

Nos kits, vão as instruções e também tinta, papel, massinha, argila, barbante e o que mais for necessário. E vai também o carinho, a dedicação e atenção especial que crianças e familiares já se acostumaram a receber da Terra Firme.

Terra Firme oferece curso de Mindfulness a professores e professoras

A escola disponibiliza aos seus docentes o Programa de 8 semanas de Promoção de Saúde Baseado na Prática de Mindfulness. O objetivo é possibilitar o acesso aos benefícios psicológicos, neurofisiológicos e epigenéticos da Atenção Plena, com a melhoria da qualidade de vida, individual e coletivamente.

A equipe da Escola Terra firme está permanentemente aprendendo e descobrindo caminhos para que os alunos e alunas tenham uma formação completa, integrando a aprendizagem de conteúdos ao desenvolvimento pessoal, tanto motor como emocional. Na primeira semana de setembro foi realizada uma semana pedagógica, para avaliação e reavaliação dos caminhos traçados neste ano de 2020, historicamente ímpar e que vem demandando novas habilidades e a produção de novos conhecimentos.

De quarta-feira, dia 9, a sábado, 12, foram abordados temas relativos à prática pedagógica, com ênfase na pesquisa e compartilhamento de conhecimentos acerca de ferramentas de interação on-line com alunos e alunas e atenção especial ao suporte emocional e relacional dos professores e professoras.

No encerramento, Fernanda Keller, odontóloga, acupunturista e instrutora de Mindfulness, falou sobre o desenvolvimento da Atenção Plena e sensibilizou a equipe para o conhecimento e desenvolvimento das técnicas que serão abordadas no curso, visando o bem-estar pessoal e o melhor desempenho em sala de aula.

Qualidade do ser, não do ter

Fernanda entende que o Mindfulness (atenção ou consciência plena) se encaixa perfeitamente na orientação pedagógica da Terra Firme. “Uma das fundamentações teóricas da escola está baseada em André Lapierre que diz, ‘A qualidade da vida é a qualidade do ser e não do ter’. O Mindfulness nos ajuda a viver no modo Ser, onde estamos abertos para nossa experiência imediata, interior e exterior com uma atitude de curiosidade, com o olhar do principiante, explorando cada momento com gentileza”.

Nos 8 encontros, os docentes terão a oportunidade de conhecer a prática de aceitar e permitir experimentar os fenômenos no dia a dia, sem reatividade, livre dos estereótipos e preconceitos que nos afastam da vivência plena dos momentos. “É uma potencialização do autoconhecimento, favorecendo o aprendizado e o desenvolvimento das habilidades socioemocionais como autoconsciência, autogerenciamento, consciência social, habilidades de relacionamento e tomada de decisão responsável. Assim, tornamos o terreno da Escola Terra Firme ainda mais fértil para a o florescimento da criatividade e do potencial inato de cada aluno”, explica Fernanda.

Contato com tato

A proposta está em consonância com o eixo temático de 2020, CONTATO COM TATO. A ideia é estar em uma relação plena com o momento presente, tanto no plano individual, como em conexão com o outro. Segundo Fernanda, o criador das intervenções baseadas em mindfulness, Jon Kabat-Zinn, definiu essa prática como um exercício de estar em contato. “Esse exercício nos permite estar em contato com o momento presente, com quem Eu Sou, e em ampla conexão com o outro. Por meio da autoconsciência, posso viver plenamente o aqui e agora, me tornando mais amigável, compassivo, paciente e resiliente comigo mesmo, com o outro e com a experiência que estou vivendo”.

A OIT (Organização Internacional do Trabalho) considera a atividade docente como de alto risco, com a possível ocorrência de agravos como exaustão, absenteísmo, hipermedicalização e sintomas de burnout. “Diante dessa situação, a Escola Terra Firme teve o cuidado de olhar para a saúde e bem-estar do professor, bem como para o seu amor e paixão por ensinar. O Mindfulness fornece ferramentas necessárias para que os docentes se tornem protagonistas de sua saúde, por meio da autoconsciência e do autocuidado. Com maior qualidade de vida, podem ensinar melhor e inspirar seus alunos positivamente a tomar decisões mais conscientes e assertivas, os auxiliando a serem menos reativos e impulsivos”, afirma Fernanda.

Semana Pedagógica: reflexão, atualização e trocas em busca de novos conceitos e métodos

A primeira atividade da Semana foi uma experiência com a prática do Círculo Afetivo (LINK PARA MATÉRIA SOBRE O TEMA), na qual todos puderam expressar os sentimentos presentes neste momento de aulas on-line, por conta do distanciamento social imposto pelos altos riscos de contágio da doença conhecida como COVID-19. “Foi bom podermos falar de como estamos nos sentindo nesse momento, tão diferente para todos nós e como isso tem afetado tanto a vida social quanto a vida profissional”, conta Brunna Bassetti, coordenadora do Fundamental II.

Nas atividades seguintes, além de tratar de assuntos organizacionais, traçar planejamentos e refletir sobre as relações com alunos e alunas, foram compartilhadas ideias acerca da elaboração dos projetos para o últimos trimestre do ano e sobre metodologias para as aulas on-line, como plataformas e aplicativos. “A semana pedagógica possibilitou a todos nós, coordenadores e professores momentos de reflexão, atualização e trocas. A escola está sempre em busca de novos conceitos e métodos que venham enriquecer o trabalho e bem estar de todos”, diz Kelly Cordeiro, coordenadora do Fundamental I.

Rosane Marçal, coordenadora da Educação Infantil, avalia a Semana Pedagógica como produtiva e entende como importante o curso de Mindfulness. “Tudo o que faz bem para o professor, faz bem para os alunos”, afirma.

Círculos Afetivos: conversa de coração a coração para uma formação integral

Educar, na Escola Terra Firme, é uma prática que envolve a integralidade de uma formação humanizada. Está estruturada com base em estratégias pedagógicas que incluem, nos seus diversos níveis, a maturação corporal e o desenvolvimento da cognição, com autonomia para pensar e repensar os conhecimentos adquiridos. A proposta é fornecer bases seguras para o crescimento integral de cada aluno e aluna, com incentivo ao autoconhecimento, ao fortalecimento dos vínculos e ao desenvolvimento de uma comunicação efetiva consigo mesmo e com o outro.

Como parte dessa proposta, estão sendo implantados, on-line, os Círculos Afetivos, com a coordenação da orientadora pedagógica Ana Carolina Brofman. “É uma ferramenta milenar, utilizada pelos nossos antepassados no sentido de abrir espaço para uma escuta ativa e uma fala consciente. Um lugar onde todos somos protagonistas e podemos nos expressar livre de julgamentos”, explica Ana, que tem vasta experiência com práticas de cunho relacional, com base na psicomotricidade relacional, psicopedagogia, técnicas de gestão, meditação e Yoga.

Experiência gratificante

Para a implantação dos Círculos Afetivos, a Terra Firme contou com o prestimoso auxílio da mestre em Educação Jane Cleide Hir, que desde 2017 utiliza com sucesso a ferramenta que inspirou os Círculos Afetivos da Terra Firme, os chamados “Círculos Restaurativos”. Ela define os Círculos como “Uma conversa de coração para coração” na qual os seus participantes falam, são ouvidos e ouvem, e elogia a iniciativa da escola. “Conhecer a Escola Terra Firme e a sua proposta de uma educação mais integral e humanizada foi uma experiência gratificante para mim, visto que, como educadora, defendo esses mesmos ideais. Foi interessante me reconhecer no discurso da orientadora pedagógica e, mais ainda, identificar nos alunos a bagagem construída por essa proposta”.

“Esse brilho que a Terra Firme ensina não tem preço”

Deborah Salviano, mãe de Benjamin Salviano, do 8º ano, vê com satisfação a prática dos Círculos Afetivos e avalia os seus efeitos como muito positivos. “O importante é aprender a ser um ser pensante, que sabe agir e reagir conforme as situações aparecem. Sem esquecer do amor e respeito ao próximo”. Segundo ela, em uma realidade tão competitiva como a que vivemos, a Terra Firme incentiva os jovens a não terem medo de aprender e buscar o novo, tendo como base a segurança emocional. “A segurança que é ensinada desde que se é pequeno, é um brilho que não se apaga, porque o ser é convicto da sua importância, do seu conhecimento, e da necessidade de aprender coisas novas. Esse brilho que a Terra Firme ensina não tem preço”.

Deborah conta que teve más experiências com outras escolas no passado, mas que ficaram para trás. “Nosso sentimento quando conhecemos a Terra Firme foi de libertação. Tirei um peso das nossas vidas e o substituí pela certeza de que veria meus filhos felizes novamente”.

De volta à essência

Problema semelhante ao de Benjamin foi vivido por Esteban Weigel, do 7º ano. Sua mãe, Rebeca Weigel, diz que ele veio de uma experiência pedagógica negativa, na qual não havia diálogo, sem formas de expressão possível entre estudantes, professores e orientadores. “Ele estava assustado, inseguro e agressivo. Foi nesse contexto que ele chegou à Terra Firme, há pouco mais de um ano. Naquela época era inimaginável que ele viria ser mediador para solucionar um conflito entre colegas. Em 14 meses, sendo que foram apenas 6 meses de aula presencial, a Escola Terra Firme trouxe o Esteban de volta à sua essência, ele voltou a ser criativo, alegre e confiante”.

O conflito citado por Rebeca, aconteceu entre dois colegas da turma de Esteban. A partir do espaço de manifestação propiciado pelo Círculo Afetivo, ele e Mauricio Burmester do Amaral Santos, seu colega e amigo, pediram ajuda à orientadora pedagógica Ana Carolina para mediar uma solução para o conflito, o que foi feito e gerou resultados imediatos, merecendo ainda a atenção e a empatia de outros membros da turma.

“Para a cabeça ficar melhor”

Esteban deixa claro que gosta da proposta dos Círculos Afetivos, entende que ajuda a conhecer melhor os colegas e acredita que melhora a convivência da turma, principalmente neste momento de aulas online. “As aulas têm sido bem dadas e tem esse apoio emocional que ajuda a entender o outro. Às vezes a pessoa não se sente segura para conversar, mas a escola é um lugar seguro para conversar com confiança e essa atenção que tem sido dada aos alunos é para isso, para ajudar a entender o outro, para que se abram, para a cabeça ficar melhor”, afirma.

Mesmo longe, a escola está perto

Maurício também avalia como bastante positiva a vivência que tem nos Círculos, principalmente neste momento de isolamento social por conta da pandemia de Covid-19. “Acho isso bem legal, é o diferencial da nossa escola, o que a faz ser do jeito que é, boa e legal”. Sonia Burmester Amaral, sua mãe, elogia a sensibilidade da equipe pedagógica da Terra Firme e percebe o filho forte, compreendendo a situação em que vivem, parceiro. “Maurício está na pré-adolescência e é preciso que eu tenha paciência. Temos nossas discussões, afinal ele está crescendo e argumentando sobre o que entende como bom e saudável. Estamos dando o nosso jeito, mas com certeza a forma como a Terra Firme conduz a sua relação conosco ajuda muito, pois mesmo estando longe sentimos a escola perto”.

Sentimentos expressos nas aulas de artes ilustram máscaras de proteção personalizadas

Em um momento difícil, em que sair de casa nem sempre é possível, as crianças das turmas do 4º ano da Escola Terra Firme expressaram seus sentimentos com releituras de obras de arte que viraram estampas de máscaras de proteção.

As turmas do 4º ano tiveram uma experiência bastante sensível e criativa nas aulas de Artes. Neste momento, em que tantos sentimentos estão envolvidos, as crianças, com o apoio da professora Silhane Cova e da coordenadora Kelly Cordeiro, expressaram a necessidade de falar do que sentem, daquilo que traz saudades e do que gostariam de ver pela janela. As emoções afloraram e a melhor forma de expressá-las foi desenhando. O resultado foi transformado em estampas personalizadas para máscaras de proteção, aquelas que todos devem usar quando saem de casa para evitar a transmissão e o contágio da doença Covid-19.

O 4º ano A viajou no tempo, pelo passado e futuro. Alunos e alunas começaram estudando as diferentes linguagens artísticas, como a pré-histórica arte rupestre, e a contemporânea arte do grafite. No percurso, chegaram ao incrível artista Vincent Van Gogh e conheceram a obra “A Noite Estrelada” (imagem acima) que, justamente, retrata a paisagem que o artista via da janela do quarto do hospital em que esteve internado, nela acrescentando uma vila que, na verdade, estava na sua imaginação. As crianças, que, por conta do isolamento necessário para evitar o contágio, têm visto em boa parte o mundo pela janela, adoraram o tema e puseram mãos à obra nos desenhos.

Já a turma do 4º ano B se focou nos movimentos, principalmente o antropofágico e o futurista, e se interessaram pela artista Tarsila do Amaral. Para expressar o que sentem neste momento, usaram como inspiração a expressiva obra “Figura Só” (imagem acima), na qual uma singela figura feminina, que bem lembra uma lágrima, está em uma paisagem um tanto vazia e melancólica, na qual o movimento parece se resumir ao proporcionado pelo vento, que a artista representou pela projeção do cabelo da solitária figura.

“Pensei nas máscaras devido ao momento e sugeri, depois de falarmos sobre os artistas, sobre os sentimentos que estamos vivendo, e dos desenhos feitos, sugeri colocá-los em máscaras, pois este é um momento que vamos lembrar para sempre e que foi lindamente representado nos desenhos”, explicou Silhane. Ela contou que, no início, as crianças acharam estranho, perguntaram como fazer isso. Mas, quando souberam que a professora tinha como produzir, em casa, as máscaras de pano, abraçaram a causa e o resultado foi o melhor possível. “Ficaram lindas!”, comemorou.

Live “Arraiá bom que só” emocionou e abriu semana de atividades pedagógicas com temas juninos

A Escola Terra Firme realizou, no último dia 04, a Live “Arraiá bom que só”, uma divertida festa junina (ou julina, pois realizada em julho) transmitida pelo Instagram. O evento reuniu a comunidade Terra Firme e, logo no início, já contava com mais de 130 registros de participação, em uma alegre e afetiva interação entre professores, alunos e familiares. O objetivo foi manter a tradição de congraçamento que se manifesta nas alegres festas da escola, sempre animadas por boa música e brincadeiras. A live marcou o início de toda uma semana de atividades com o tema “Festa Junina” durante as aulas on-line.

A professora de Educação Física Dani Carneiro foi a Mestre de Cerimônias e a live foi aberta pela fundadora e diretora da Terra, a professora Sandra Cornelsen, muito emocionada. “É um dia muito feliz para mim, eu lembro de cada pai, de cada mãe, de cada criança chegando, dança, comida, alegria, pescaria, professores, amigos, casais, todo mundo alegre! Vamos festejar este dia!”. Ela preparou até uma mesa bem decorada com flores e um delicioso arroz doce, que fez questão de mostrar. “Feito por mim, com todo amor, para cada um de vocês”, disse.

Atrações musicais

Dani, em seguida, chamou o professor de Música, Carlito Birolli, que emendou logo um baião, o “Último pau de arara” (de Venâncio, Corumba e José Guimarães, gravado por Fágner e também por Gonzagão). Na conversa, Dani também mostrou as iguarias que preparou para a ocasião, como pinhão e bolachas caseiras. Carlito cantou “Pra quê?”, uma composição sua, do professor Cauê Menandro e de sua mãe, Lenita Menandro, avisando que Cauê não poderia comparecer, mas que seu irmão “Cauí” estaria presente para uma moda de viola à beira da fogueira.

Cauê, ou melhor, “Cauí”, foi a próxima atração, confirmando que “seu irmão” estava com problemas “nas internet” e que ele, “diretamente de Fazenda Rio Grande”, o estava representando. “Agora eu estou aqui e só tem eu”, disse, ao ser contestado pela Mestre de Cerimônia pelo fato de não ter sido convidado e sim o irmão, professor da Terra Firme. “E vou contar uma coisa procê, festa junina sem fogueira não é festa junina”, emendou, enquanto acendia o fogo para a sua participação musical, uma moda de viola de sua autoria. “Cauí” é o personagem criado pelo professor Cauê para as aulas da Educação Infantil e faz muito sucesso entre as crianças, tocando sua viola caipira.

Preparado com muito amor

O professor de Teatro Alexandre Zampier dos Santos Lima, conhecido como Conde Baltazar, apareceu, em seguida, explicando que, assim como aconteceu com os “irmãos” Cauê/Cauí, também não era quem parecia ser, mas sim o seu irmão, “Uédson”, que não sabe fazer música nem é de teatro, mas sabe fazer comida muito bem. Para ilustrar a sua habilidade, “preparou”, ao vivo, um bolo bem diferente, que leva um pedaço de peixe (posto no liquidificador com a embalagem de plástico), mexerica com casca, um sachê de mostarda, um pacote fechado de fermento e kombucha, um tipo de chá fermentado. “Preparado com muito amor”, fez questão de frisar.

Ainda houve tempo e animação para mais apresentações musicais. O professor Carlito cantou Luiz Gonzaga, “O xote das meninas” (de Gonzagão e Zé Dantas) e “A vida do viajante” (de Gonzagão e Hervé Cordovil), além de músicas de Chico César e Zeca Baleiro. Dani tocou o “sino do beijo”, convocando as famílias a um momento especial de carinho e afeto quando, inesperadamente, o professor Cauê apareceu, ele próprio, não Cauí, o irmão personagem cantor de modas caipiras.

Festa junina é bom demais!

E, no meio de tanta confusão de irmãos imaginários, houve ainda a participação especial de Adriana Birolli, irmã (de verdade) de Carlito e atriz de teatro, cinema e TV. Ela saudou a todos e mandou uma mensagem que resumiu o sentimento dos participantes da live. “Estou aqui na live da Terra Firme para mandar um beijo para todo mundo e para dizer que festa junina é bom demais”, disse, ressaltando a importância da escola ter realizado a festa on-line.

Contato com tato” musical

Cauê encerrou a live festiva com uma composição que emocionou aos que participaram do evento on-line. A música, “Contato com tato”, é dedicada a toda a família Terra Firme, remetendo ao Eixo Temático da escola em 2020. “A gente sabe o quanto esse contato e esse tato são importantes na pedagogia que a gente procura fazer na Terra Firme”, disse, antes de cantar. Segue, abaixo, a letra de “Contato com tato”, de Cauê Menandro.

Tato para saber como chegar
Tato para ouvir sem julgar
Tato para mexer na terra
Contato pra contactar.

Galho, folha, fruto, flor, raiz
Água, terra, rocha, luz, calor
Hora de saber ser aprendiz
Para resgatar (espalhar) o nosso amor.

Semana de atividades e muita festa

Aprender, na Terra Firme, é sempre algo que se realiza com amor, afeto e satisfação. Na semana que se seguiu à live, foram realizadas divertidas atividades pedagógicas com o tema “festa junina”. “Teve aulas de matmática com jogos de argolas, alfabetização com pescaria, releituras de obras e músicas caipiras. As crianças e as professoras decoraram o espaço de aula com as bandeirinhas e dobraduras que foram nos kits pedagógicos. Todos, profes e crianças, estão assistindo as aulas a caráter e, no final, brincam e cantam”, explicou Rosana Marçal, coordenadora pedagógica da Educação Infantil.

 

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Kits pedagógicos cheios de carinho e emoção

Com o objetivo de manter a continuidade das atividades realizadas on-line, a Escola Terra Firme elaborou e montou kits para facilitar os estudos em casa, distribuídos na própria escola quinzenalmente para as turmas do Infantil. Neles, está o material necessário para a realização de consignas, tarefas que promovem o aprendizado dotado de sentido e a reflexão, mas vai além disso. Cada kit representa muito mais do que um incentivo ao aprendizado, está cheio do carinho e da atenção especial que cada estudante e familiar já se acostumou a receber na Terra.

Os kits foram preparados de forma a minimizar a necessidade das famílias saírem de casa para providenciar o material das tarefas. As instruções para a realização da consigna vão impressas e acompanhadas, de acordo com cada caso, de tinta, pincel, massinha, argila, barbante, cola, tesoura, lápis de cor, giz de cera, palitos, papéis ou o que mais for adequado.

Carinho especial

Rosane Marçal, coordenadora do Infantil, conta que a experiência de elaborar, montar e distribuir os kits está sendo muito alegre e gratificante para todos na escola. “Tem sido incrível a movimentação das professoras para planejar as atividades e preparar os kits, a direção junto, dando suporte, os pais vindo até a escola buscar e enviando fotos, cartas, vídeos e áudios das crianças, dando retorno das atividades, e as crianças superempolgadas na realização”.

Ela diz que montar os kits fez com que as professoras se sentissem mais próximas de alunos e alunas, lembrando com carinho da antiga rotina, do tempo em que estavam em sala de aula. “Estar na escola para a preparação do material trouxe ânimo para elas, que se mostravam muito tristes por estar longe das crianças, do trabalho e da escola”. O resultado foi que cada kit foi preparado com um carinho especial e esse afeto foi sentido pelas crianças e familiares.

A Terra Firme é única

Karina Dias Occaso de Sampaio, mãe da Olívia, do Grupo II, entende que os kits funcionam como um importante recurso pedagógico, mas, principalmente, ajudam a manter o bom vínculo que a filha, e toda a família, tem com a escola. “Tenho experiência com três escolas e a Terra Firme é a única que pergunta como o aluno está se sentindo, que manda mensagens para os pais, perguntando como estão, se precisam conversar e se estão com necessidades emocionais, dando apoio, não material ou de conteúdo. Isso é único”, afirma.

Olívia tem uma relação muito carinhosa com a professora Solange Jankowski Palmeiro, a Xuxa. “Ela gosta de todos os professores, interage, conversa, quer contar todas as novidades, percebe a presença ou ausência dos amigos. Do jeito dela, escreve cartinhas para a Xuxa, várias, falando das atividades, o que fez, como fez, desenha a professora em diferentes contextos que imagina. No último kit que fomos buscar, levamos uma carta para ela e, neste agora, a Xuxa mandou uma resposta e Olívia respondeu imediatamente, utilizando o mesmo papel”, conta Karina. “E quando eu acompanho a aula, vejo, na tela, a Xuxa emocionada, os olhos lacrimejados, a voz embargada”, completa.

Confiança construída em Terra Firme

Essa interação emocional ajuda a manter a tranquilidade, o que se reflete na realização prazerosa dos trabalhos e na certeza de que a escola continua presente, de que vai voltar a rever os amigos, retornar à escola. Uma confiança que tem bases sólidas, ou, bem se pode dizer, construída em Terra Firme. “Não vejo tristeza na Olívia. Vejo uma alegria, uma ansiedade, ela está com muita expectativa de reencontrar a Xuxa, os professores e os amiguinhos. Quando tem interação on-line, ela mesma se troca, escolhe a roupa que quer usar, a presilha do cabelo, se arruma para esse momento, que adora”, diz Karina.

Além da cartinha para Olívia, Xuxa também escreveu mensagens para outros alunos e alunas e uma geral. Nela, fala do sentimento de saudade que experimenta e que, em suas palavras, “transborda e escorre pelos olhos”. A professora se sente triste pela interrupção do convívio diário, das brincadeiras, rodas de conversa e trocas de experiências. No entanto, fala de sua alegria no preparo dos kits, pois se sente, nessa tarefa, mais próxima das crianças que ama. “Tenho a sensação de estar perto delas, pois a cada atividade planejada, passa em minha mente o rostinho de cada uma. Em cada kit, segue um pouco de mim, cheia de saudade, de amor e carinho. Fico imaginando que vou dentro da sacola, pois o desejo de ir é grande”.

Confira, abaixo, a íntegra da carta enviada por Xuxa para cada aluno e aluna:

Alguns dias, preciso ir até a escola preparar aulas e atividades para vocês. Confesso que é bem estranho entrar na sala de aula e não ver seu sorriso e nem ouvir sua voz me chamando.

Posso te garantir que o vazio da sala fica imenso sem questionamentos, sem aquela bagunça que só nós compreendemos e sabemos o quanto isso é delicioso.

A saudade é um sentimento que quando não cabe mais no peito escorre pelos olhos.

Grande beijo com muita saudade.