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Filósofos e crianças têm muito em comum

Filósofos e crianças têm muito em comum

As meninas e os meninos da turma do 5º ano tiveram uma aula de filosofia e aprenderam muitas coisas. Descobriram que a filosofia não é meramente um assunto tratado nos livros, mas está presente em boa parte de nossas vidas. Além disso, é importante para entendermos a realidade que nos cerca e foi fundamental para a humanidade alcançar os conhecimentos, inclusive técnicos, que tem hoje. No entanto, o que mais chamou a atenção da turma foi a descoberta de que as crianças têm muito em comum com os filósofos.

O professor Willian Mac Cormick Maron é psicólogo, psicanalista e doutor em Filosofia. Leciona na Universidade Tuiuti e é pai de Ian, do 5º ano. Foi dele a aula, apresentada com a participação do filho, que encantou os alunos e alunas. Logo no início, Willian disse às crianças que elas têm características que os filósofos também possuem: criatividade, imaginação e, principalmente, curiosidade. “Nem todo adulto tem isso. Tem adulto que acredita que já sabe tudo e o que caracteriza o filósofo, e também a criança, é o querer saber”.

Filósofos e crianças têm muito em comum

A importância do pensamento: Filósofos e crianças têm muito em comum

A ideia da aula surgiu quando a turma estudava a Grécia e leu a Odisseia, de Homero, um clássico da literatura. O livro conta a aventura do grego Ulisses no retorno a sua casa, depois da guerra de Troia, enfrentando os mais diversos perigos. O interesse foi grande e o tema “filosofia” surgiu, levantado por alguns estudantes. “Foi uma demanda que partiu deles. Houve o desejo de saber mais e o Ian sugeriu que seu pai poderia ajudar a entender melhor o assunto”, explicou a professora Franciane Napoleão.

Durante a aula, Willian deu bastante ênfase à importância do pensamento. Segundo ele, a filosofia serve para nos ajudar a pensar e, quando começamos a fazer isso, não vemos mais as coisas da mesma forma. “Pensar para resolver problemas, para saber como se dão as coisas, de onde vêm. É um exercício como outros, por exemplo, como levantar pesos. Se a gente não pratica, atrofia”, disse.

Filósofos e crianças têm muito em comum

A verdade não é sempre a mesma

Para ilustrar como se dá o processo de filosofar, o professor usou as noções de verdade, beleza, tempo e espaço. Explicou que o belo está no nosso olhar, que a verdade não é sempre a mesma e que do tempo e do espaço pouco conhecemos, a não ser as suas unidades de medida. “É interessante notar, por exemplo, que o tempo não passa da mesma forma em todas as situações ou lugares. Quando estamos em uma sala de espera, o tempo parece passar devagar. Já quando estamos brincando, o tempo voa!”.

No final, alunos e alunas apresentaram, em dupla, um resumo da vida e da obra de filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles, da Antiga Grécia, bem como os da modernidade europeia, como Descartes, Kant, Rousseau, Marx e Freud. Sem esquecer de Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre, mais recentes, filósofos cujas obras ainda não completaram 100 anos.

Fotos: Gilson Camargo

Comunidade Terra Firme reúne-se para o Arraiá Bom que Só

comunidade Terra Firme

Nunca se viu festança tão animada! O Arraiá Bom que Só reuniu toda a comunidade Terra Firme em um sábado de sol, com uma alegria contagiante. Comidinhas, brincadeiras e jogos envolveram direção, equipe pedagógica, alunos e alunas, familiares e amigos. Até ex-alunas estiveram presentes na festa mais gostosa da escola que, neste ano, superou todas as expectativas.

Valorizar a vivência da tradição das festividades folclóricas do meio do ano é o objetivo dessas festas na Terra Firme. Teve pescaria e jogo de argolas, assim como as corridas de saco e da batata. Também teve camarim de fotos, rabo do burro, bola ao palhaço e outros jogos. Isso sem esquecer do bingo, a única brincadeira que tinha venda de fichas e premiação, com os recursos revertendo para o fundo de formatura da turma do 9º ano. Todas as outras brincadeiras foram gratuitas e não ofereceram prendas.

O brincar com liberdade e espontaneidade

“É o brincar pelo brincar, não para ganhar, mas pela satisfação que a brincadeira proporciona”, explica a orientadora pedagógica Ana Carolina Brofman. E essa proposta foi muito bem compreendida e comemorada, principalmente pelas crianças, que podiam brincar do que quisessem e na hora que quisessem, sem a necessidade de comprar fichas. A liberdade, a espontaneidade, a alegria do jogar e brincar foram, como sempre, a marca dos arraiás da Terra Firme.

Economia participativa, sustentável e solidária

Também teve apresentação das quadrilhas e um arrasta pé que reuniu crianças, adolescentes e adultos. As famílias contribuíram levando as comidas e bebidas e não foi necessário qualquer pagamento para consumi-las, com as exceções do cachorro quente (tradicional e vegano) e do quentão, vendidos pela turma de futuros formandos. Economia participativa, sustentável e solidária que se aprende na escola.

comunidade Terra Firme

Comunidade Terra Firme reunida e feliz

Maristela Cortazio Souza de Oliveira é mãe de Marina, do 9º ano, e disse ter ficado muito satisfeita por ir à festa. “Achei muito bom. As crianças estão felizes e a comunidade está toda junta. Faz muita diferença a comunidade se juntar, porque as pessoas têm necessidade disso, de participar de um grupo”.

Nilson Sampaio leciona a disciplina extracurricular de Arte e Criatividade para o Integral, nas tardes de terça-feira. Pai de Vicente, do 2º ano F, está há pouco mais de um ano na escola e só conhecia o arraiá no modo on-line. Se declarou positivamente surpreendido e feliz de ver o tamanho da comunidade Terra Firme. “Estou surpreso com o tanto de gente que compareceu. Não esperava”.

comunidade Terra Firme

Metacognição: definindo o estilo de estudar para melhor aprender

metacognição

Metacognição é a capacidade do ser humano de monitorar e auto-regular os processos cognitivos. Cada pessoa tem um jeito de ser, com seu estilo, seus gostos e habilidades, bem como aptidões e limitações. No aprendizado, isso não é diferente. Ninguém aprende da mesma forma que outra pessoa, muito menos do mesmo modo durante toda a vida. E se há um estilo individual de ser, que inclui preferências diversas, como as literárias e estéticas, há também um estilo de estudar.

A Terra Firme transmite, aos alunos e alunas, os conteúdos curriculares, mas não fica apenas nisso. A escola ensina a pesquisar, a ter prazer nas descobertas, a desenvolver o pensamento crítico com autonomia. A turma do 9º ano, por exemplo, tem lições de como estudar, para melhor aproveitar o tempo e as competências de cada estudante. Para isso, conta com a valiosa ajuda da psicopedagoga Laura Monte Serrat, que acompanha o desempenho da turma nos Simulados, que acontecem semestralmente.

Metacognição: definindo o estilo de estudar para melhor aprender

Metacognição: ideal é o equilíbrio

O acompanhamento se dá de forma individual, procurando definir, compreender e orientar de acordo com o estilo de cada um. E são 4 estilos básicos: ativo, reflexivo, teórico e pragmático. “Os estilos têm aspectos positivos e negativos e o ideal é que haja um desenvolvimento equilibrado de todos, mas há momentos da vida em que estamos mais equilibrados, em outros menos”, explica Laura.

Metacognição - Escola Curitiba

Para cada estudante, um jeito de estudar e aprender

No primeiro encontro da psicopedagoga com a turma, todos falaram e ouviram. Alunos e alunas disseram como costumam estudar e preencheram um formulário com questões para conhecer o estilo de cada um. Após a realização do simulado, Laura e a turma voltam a se encontrar, em entrevistas individuais, para a avaliação da estratégia de estudo utilizada para a realização das provas. Nesse momento, Laura sugere caminhos para a definição do método apropriado para cada estudante no aprendizado futuro. Afinal, aprender a estudar é aprender a aprender.

Texto: Luiz Geremias
Fotos: Gilson Camargo

Parque Estadual de Vila Velha recebe Fundamental II

No sábado, 25 de junho, as turmas do Fundamental II foram ao Parque Estadual de Vila Velha, localizado próximo a Curitiba. O planejamento foi dos professores Kevin Pscheidt, de Geografia, e Sidinei José da Silva, de História, com o suporte e a participação da coordenadora do Fundamental II, Brunna Bassetti Britto e dos professores Leonardo Guadagnin e Rafael Oliveira da Silva, de Educação Física.

Visita ao Parque Estadual de Vila Velha: Uma atividade instrutiva e prazerosa

O objetivo foi conhecer e se encantar com o lugar e aprender sobre a origem das belezas naturais que os arenitos exibem a quem os visita. “Além disso, os alunos e alunas conheceram o bioma local e a importância da preservação ambiental”, explica Brunna. Segundo ela, a atividade foi muito rica, tanto no que diz respeito aos conteúdos como na vivência em grupo. “Vimos muita parceria e companheirismo, foi maravilhoso”.

Parque Estadual de Vila Velha

Teoria e prática relacionadas

Durante a aula em campo no Parque Estadual de Vila Velha, o professor Kevin ressaltou a importância das Unidades de Conservação para a preservação desses locais. Explicou como acontecem as erosões e mostrou como se dá o processo de intemperismo, falando sobre os processos físicos e químicos da desagregação e decomposição das rochas. “Pudemos compreender as paisagens e as transformações que ocorrem nelas. Vimos um pequeno fragmento de uma era geológica e o que ocorreu nesse período. Além disso, identificamos a fauna e flora local”.

Parque Estadual de Vila Velha

Há 340 milhões de anos, no período Carbonífero, este local era um grande lago glacial.
Nos milhares de anos seguintes, o terreno elevou-se e as intempéries naturais, como o calor do sol, os ventos em conjunto com a vegetação e, principalmente, a ação da chuva, esculpiram essas grandes formações rochosas. Um convite para dar asas à imaginação para identificar as formas que a natureza desenhou por aqui.

Os arenitos são como grãos de areia compactados e endurecidos. O que ajudou nessa compactação e dá a coloração avermelhada é o Óxido de Ferro, presente na composição das rochas. O modelamento do Arenito Vila Velha, na forma de erosão atual, é algo muito recente. Ao longo dos 300 milhões de anos de existência destas rochas, aconteceram eventos geológicos que as soterraram sob outras sequências mais jovens.

Movimentos tectônicos terrestres, aliados à erosão, o colocaram novamente à superfície. Os processos de erosão que esculpiram o Arenito Vila Velha, principalmente o das águas pluviais, aconteceram no Período Quaternário, nos últimos 1,8 milhão de anos.

A característica marcante do arenito de Vila Velha é a presença do relevo em forma de ruínas, marcado pela rica associação de formas incluindo caneluras, cones de dissolução, topos pontiagudos, torres e pilares, que originam esculturas naturais singulares, das quais a Taça é a mais conhecida, hoje símbolo da região, em especial do Parque.

As formas dessas esculturas naturais derivam da ação das águas pluviais, da ação da energia solar, das mudanças e alterações de temperatura e atividade orgânica sobre as rochas. Esta ação erosiva desenvolve-se através de descontinuidades e de zonas de fraqueza naturais da rocha, tais como: fraturas e falhas, estruturas sedimentares, textura e cimentação diferenciadas, cuja interação permite a formação destes maravilhosos monumentos.

Parque Estadual de Vila Velha: O CameloO camelo.

Parque Estadual de Vila Velha: A GarrafaA garrafa.

Parque Estadual de Vila Velha: O ÍndioO índio.

Parque Estadual de Vila Velha: O Anjo
O anjo.


A índia.

Parque Estadual de Vila Velha: A BotaA bota.

A maloca, ou aldeia.

Parque Estadual de Vila Velha: O DinossauroO dinossauro.

A mão.

Parque Estadual de Vila Velha: A TaçaA taça.

Trilha na mata.

A Lagoa Dourada é uma Furna em processo terminal de erosão, com aproximadamente 11.170 anos de idade. Sua extensão é de 160m por 200m e sua profundidade varia entre 0,40m a 5,40m, fazendo também ligação com o rio Guabiroba.

Suas águas cristalinas também tem origem subterrânea do aquífero Furnas e formam um verdadeiro aquário natural. Esse local é responsável por abrigar espécies de peixes como o Curimbatá, Traíra, Tubarana, Bagre e Lambari. Em determinados horários do dia, conforme a incidência dos raios solares, sua superfície ganha um brilho dourado único. Por isso ganhou o nome de Lagoa Dourada.

As Furnas são grandes cavernas verticais ou poços de desabamento, formadas há mais de 400 milhões de anos em razão da combinação de vários fatores:movimentação de placas tectônicas, ação de águas pluviais acidificadas (águas de chuva com elevado teor de pH) e de matérias orgânicas, incluindo vegetação, além da ocorrência de falhas e fraturas no solo. Tudo isso junto fez desabar partes do teto rochoso do solo, formando essas grandes crateras circulares.

Texto: Luiz Geremias (com informações do Serviço Geológico do Paraná/MINEROPAR)
Fotografia e edição: Gilson Camargo

A psicomotricidade relacional é vida na escola

Sandra Cornelsen publica seu primeiro livro e o tema é a inclusão com a psicomotricidade relacional. Com mais de 30 anos de experiência na aplicação dessa metodologia na pedagogia, a fundadora e diretora pedagógica da Escola Terra Firme fala de sua experiência no acompanhamento de uma criança autista. O lançamento aconteceu durante a Mostra de Projetos na Terra e no Centro Internacional de Análise Relacional (CIAR).

O título, “O autismo acolhido pela psicomotricidade relacional”, diz muito do trabalho realizado por ela, com sucesso, e a narrativa ilustra as dificuldades enfrentadas, bem como as estratégias para superá-las. É uma obra que desperta o interesse não apenas de pedagogos e psicólogos. Agrada a todos os interessados nos temas abordados e preconiza que a escola deve ser para todos, acolhendo as diferenças.

Trata-se do relato de um caso de autismo grave, de sua trajetória na inclusão escolar e na conquista de progressos pessoais com a ajuda de Sandra e da psicomotricidade relacional. “Quando o conheci, ele tinha 5 anos e não falava, se autoagredia, agredia outras pessoas. Ao concluir o trabalho, dois anos depois, ele já falava, conseguia articular frases com sentido, olhava para as pessoas e as respeitava, se comunicava com elas. Aprendeu a brincar e a emprestar brinquedos”.

o autismo acolhido pela psicomotricidade relacional Link para o livro, disponível na Amazon

Uma leitura para todos

O trabalho realizado não foi apenas com a criança. Sandra esteve próxima de todos que conviviam com o menino, que morava em Salvador, na Bahia. Mensalmente, ela viajava até lá para passar cinco dias com a família e, nesse tempo, dava total assistência não apenas aos familiares, como às professoras que o acompanhavam e demais profissionais envolvidos. E o resultado não podia ter sido melhor. “Levei-o a um show de percussão em Salvador e ele dançou o tempo todo, mostrando uma soltura corporal que não tinha, adorando ouvir a música. E quando comecei a trabalhar com ele, detestava todo tipo de som”.

“O trabalho que fiz, com base na psicomotricidade relacional e no afeto, está descrito no livro. É uma leitura para todos, trata não apenas de uma criança com necessidades educacionais especiais, mas de todas as crianças, todos os pais e mães podem ler”, explica Sandra. E garante que não vai parar por aí. Está com muitas e boas ideias, algumas relacionadas ao momento pós-pandemia. “Meu desejo é escrever, acredito que posso ajudar muita gente e quero deixar um registro daquilo que aprendi, porque são muitos anos na Educação. E este momento que sucede a pandemia merece atenção especial, quero tentar ajudar”.

psicomotricidade relacional - sandra cornelsen

A psicomotricidade relacional mudou a minha vida

Sandra conheceu a psicomotricidade relacional em uma palestra que assistiu na Espanha, em 1989. Andre Lapierre e Bernard Aucouturier, os palestrantes, apresentaram essa proposta inovadora, um espaço de liberdade no qual a criança pode, brincando, manifestar e vivenciar simbolicamente os seus conflitos. Desenvolve, assim, uma melhor relação consigo e com o outro pela expressão simbólica. “A psicomotricidade relacional mudou a minha vida, a história da minha vida”, diz.

Com base na teoria psicológica de Freud e no construtivismo de Jean Piaget, esse método, que supera a mecanicista psicomotricidade clássica, trabalha com ênfase na afetividade e tem duas vertentes básicas. Pode ser utilizada como intervenção terapêutica geral, incluindo o atendimento a adultos, ou no âmbito escolar, com objetivos pedagógicos. “Nos dois casos, o que se busca é a reconstrução simbólica de um conflito”.

Segundo Sandra, em uma sessão ou vivência de psicomotricidade relacional tudo é permitido, menos machucar a si mesmo e ao outro. “Essas são as regras, o ‘combinado’. O que se faz na sala é um jogo simbólico, um jogo de faz de conta, e cada objeto que lá está, tecidos, bolas, arcos, cordas, caixas de papelão, jornal e aquelas boias de piscina chamadas ‘macarrão’, tem um significado simbólico. Por vezes, o material que vai ser utilizado é escolhido pelas crianças ou adolescentes, em outras, é o psicomotricista relacional que escolhe, se houver algum conflito específico a ser trabalhado”.

psicomotricidade relacional André Lapierre, Sandra Cornelsen, Katia Bassetti, Lulu Fisher e Leopoldo Vieira.

A psicomotricidade relacional é vida na Terra Firme

Juntamente com Andre Lapierre e sua filha Anne, Sandra Cornelsen levou a psicomotricidade para a Terra Firme. O planejamento e a implantação contaram ainda com a participação de Leopoldo Vieira, diretor do CIAR e do experiente psicomotricista relacional Daniel Silva, que até hoje acompanham o trabalho. “As bases das vivências na Terra Firme foram sempre orientadas pelos meus formadores e o trabalho na escola é supervisionado por mim”.

Em 30 anos de utilização da psicomotricidade relacional na Terra Firme, Sandra nunca soube de uma criança ou adolescente que não quis participar de uma vivência. “O conflito é reconstruído brincando, as relações melhoram. Eles começam a fazer com 2 anos e vão até os 15, dentro de uma rotina escolar, dentro do currículo escolar. Até o 1º ano, fazem uma vez por semana, porque a necessidade deles é maior de trabalhar o corpo, de viver o corpo. A partir daí, as vivências acontecem a cada 15 dias”.

Todos os professores da Terra têm que passar periodicamente por essa experiência e o fazem no CIAR. No cotidiano escolar, também participam junto com os alunos e alunas, porque sabem que é importante o que acontece nessas vivências. “Até o 5º ano, as professoras acompanham suas turmas. Já do 6º ao 9º ano, isso não necessariamente acontece e utilizamos dois psicomotricistas, um homem e uma mulher, a figura masculina e a feminina. Isso, porque trata-se de uma idade mais sexualizada, e essas figuras são importantes nesse momento”.

Links externos:

A Escola Terra Firme é pioneira na aplicação da psicomotricidade relacional no ambiente pedagógico:
https://efdeportes.com/efd128/a-aplicacao-das-teorias-da-psicomotricidade-no-ensino-fundamental.htm
https://escolaterrafirme.com.br/psicomotricidade-relacional-na-educacao-um-processo-de-humanizacao/

No ar, o TerraCast: para aprender com autonomia

Aprender com autonomia é participar ativamente na construção do próprio conhecimento. O protagonismo no aprendizado é um diferencial no que diz respeito à articulação dos saberes e a formação de um pensamento crítico. Para isso, definir interesses e obter informações sobre eles é fundamental. A turma do Integral da Terra Firme, na aula de MÍDIA Lab – Análise da Informação, ministrada por Larissa de Lima, está descobrindo a importância desse princípio pedagógico na prática. E o TerraCast é uma prova disso.

A professora explica que a ideia surgiu quando trabalhava o tema História do Rádio. “Em uma aula, ouvimos podcasts para fazer análise da informação, pensando a relação desse recurso com a linguagem de rádio e, a partir disso, surgiu o interesse de fazer um podcast com ‘a carinha deles’. Assim, nasceu o TerraCast”.

aprender com autonomia

Aprender com autonomia para trabalhar em grupo

A proposta é discutir os assuntos de interesse das alunas e alunos. Todos os detalhes são pensados em conjunto pela turma, composta por estudantes do Fundamental II. “Eles sugeriram o nome e elaboraram toda a estrutura do TerraCast. É um espaço para eles se expressarem e conversarem sobre assuntos de que têm interesse” diz Larissa.

aprender com autonomia

“Está sendo muito legal, estou achando incrível esta experiência de fazer esse podcast, gravar, elaborar as perguntas, decidir quem vai ser convidado e tudo mais. Cada um dá ideias e não tem sido difícil a gente entrar em um consenso”, conta a aluna Manoela Caldas de Camargo, do 6º ano. Liza Oliveira Mendonça, também do 6º, concorda e fala de sua satisfação com o projeto. “Bem legal entrevistar as pessoas, muito bom mesmo. A preparação dá um pouco de trabalho, dura mais ou menos uma semana, temos que montar o roteiro e outras coisas”.

Aprender com autonomia para experimentar

O primeiro programa teve a participação da professora de Língua Portuguesa da Terra Firme, Maria Carolina de Almeida Amaral. Já o segundo, que será lançado no início de julho, tem como entrevistada a atriz e contadora de histórias Ailén Roberto (nas imagens abaixo, durante a gravação). A ideia é aprender sobre a contação de histórias e, a partir disso, a proposta é ter a experiência de proporcionar às crianças das turmas do Infantil momentos de viagens na imaginação. “Eles selecionaram alguns livros, me perguntaram e eu dei algumas dicas. Foram muito bem na condução da entrevista, muito tranquilos”.

Aprender com autonomia – saiba mais:

https://escolaterrafirme.com.br/uma-escola-que-acolhe-ensina-a-ter-autonomia-e-deixa-boas-lembrancas

https://escolaterrafirme.com.br/projetos-envolvem-estudantes-e-professores-promovendo-autonomia-e-protagonismo

https://escolaterrafirme.com.br/estimulo-a-pesquisa-e-autonomia-para-desenvolver-novos-olhares

Uma Mostra de Projetos com um quê de encantamento

Mostra de Projetos
Mostra de Projetos

A primeira Mostra de Projetos do ano apresentou uma harmônica distribuição dos resultados das pesquisas realizadas no trimestre. Cada tema tinha seu espaço próprio, mas estabelecia relações com o entorno. Assim, o conjunto chamou a atenção tanto quanto o específico. Tudo parecia exposto e organizado não apenas para informar os visitantes acerca do desenvolvimento dos estudos nas turmas, mas também para encantar.

Kelly Cordeiro Munhoz Joaquim, coordenadora do Fundamental I e professora de Artes, destacou itens das exposições de diversas turmas, do Infantil ao Fundamental II, mas considerou o todo particularmente interessante. No geral, segundo ela, a Mostra de Projetos exibiu temáticas científicas e culturais, sempre com elementos belos e expressivos. “Não é especificamente uma mostra de artes, mas tudo tem um quê de estético, o conjunto está cuidadosamente articulado”.

Orgulho de mostrar a evolução do aprendizado

Breno Beirão é pai da aluna Olívia Trentin, do 1º ano X, da professora Solange Maria Jankowski Palmeiro, a Xuxa. Ele também gostou do senso estético da Mostra de Projetos, mas falou da importância desse evento para familiares e crianças. “É uma iniciativa muito legal para os pais, porque temos a oportunidade de conhecer o que os nossos filhos estão fazendo e, às vezes, a gente se surpreende porque não sabíamos que eles estão tão avançados. Podemos ver a evolução deles”.

O sentimento demonstrado pelos alunos e alunas ao exibir aos pais as pesquisas realizadas e os conhecimentos adquiridos foi destacado por Breno. “Eles ficam muito orgulhosos de mostrar o que estudaram e pesquisaram. Têm vontade de que isso seja visto e se sentem valorizados por nós virmos até aqui ver o trabalho que estão fazendo. Todos, pais e crianças, ficam felizes”.

Sinergias da mostra de projetos

A maior parte dos trabalhos expostos convidava à percepção visual, como nos desenhos, pinturas e colagens. Mas, havia elementos sinérgicos que chamavam a atenção. O canto do João de Barro, em instalação criada pelo 1º ano da professora Kátia Bassetti, foi uma das atrações mais comentadas. Os pequenos pássaros feitos pela turma e dispostos nos galhos de uma árvore, encantavam os visitantes. O belo som do canto vinha de uma quase imperceptível fonte sonora, posta próxima à instalação.

A turma do 6º ano, na exposição “Tipos de Espaços Existentes no Mundo”, proporcionou uma experiência singular. Combinando o visual e o auditivo, com o uso de laptops com imagens e deliciosos sons naturais, acrescentaram ainda elementos táteis, como terra, pedras e gelo, com seus aromas característicos, propondo a sincronia dos sentidos. “Só a visão não nos dá a compreensão completa de determinado local. Utilizando apenas a visão, seria como olhar uma foto, sem cheiro, paladar, som ou tato. Toque, ouça, veja e sinta”, dizia a apresentação da turma.

As alunas e alunos do 7º ano criaram garrafinhas que continham, em seu interior, deliciosos aromas naturais e, atados a elas, papéis que continham a expressão de sentimentos e pensamentos, em versos e palavras variadas. Na área externa, as crianças da Educação Infantil expunham trabalhos que combinavam sensações táteis e visuais.

Das praias cariocas à neve londrina

Para além da sinergia de sentidos, houve, também, a combinação e o contraste de temas. Os alunos das turmas do 2º ano, das professoras Carla Beatriz Jochims Gonçalves, Francesca Tockus, e Isabela Marçal Menezes, se dedicaram a levantar informações para conhecer cidades como o Rio de Janeiro e Londres. Em pinturas e colagens, trabalhando a perspectiva da 3ª dimensão, o Morro do Corcovado e a praia de Copacabana foram retratados, bem como a comunidade da Rocinha, representada em uma bela maquete.

Do calor carioca para o frio londrino, a atração foi a neve e cada aluno montou uma imagem sua brincando entre os flocos, utilizando a técnica da colagem. Também houve referências culturais, como ao tradicional ônibus vermelho de dois andares. Tudo isso registrado em cartões, que funcionaram como registros do que foi pesquisado sobre cada lugar. “Tudo o que a gente aprendeu está aqui, o que mais marcou nas ‘viagens’, a fauna, a flora. As turmas se aprofundaram bastante no projeto”, explicou Carla.

Sandra Cornelsen lançou livro durante a mostra de projetos

Um acontecimento muito especial da Mostra de Projetos foi o lançamento do livro “O Autismo acolhido pela Psicomotricidade relacional”, escrito pela fundadora e diretora pedagógica da Terra Firme, Sandra Cornelsen. Foram vendidos muitos exemplares, todos com dedicatória. “Um sucesso absoluto. E a gente quase não divulgou, estou muito feliz”, declarou a autora.

Macylene Quirino é estudante de pedagogia e ficou sabendo do lançamento do livro pelo site do CIAR (Centro Internacional de Análise Relacional). Foi comprá-lo, conhecer Sandra e a Escola Terra Firme. Sobre a mostra, se disse bem impressionada com a interdisciplinaridade. “Os temas e os projetos se interligam. É um misto de emoções olhar as imagens das atividades das crianças”.

O livro trata da experiência da autora com um menino com espectro autista, utilizando a psicomotricidade relacional. Aborda temas como o acolhimento das diferenças e o desafio que envolve a tarefa de desenvolver uma relação de afeto e crescimento com crianças com essa característica. “É acreditar na criança, acreditar que toda criança é capaz, em qualquer tempo, de qualquer maneira. É capaz de crescer”, define Sandra.

No próximo sábado, dia 28 de maio, a autora estará, a partir das 17h, autografando exemplares do livro no CIAR (Av. Sete de Setembro, 4476, sobreloja).

Confraternização das Famílias marcou o retorno das festas presenciais na Terra Firme

OficinaSobreOAmor_OctavioCamargo_e_BrandonLabelle_Teatro Guaira_Curitiba_PR_Brasil_Maio2022

No primeiro sábado de maio a Terra Firme realizou a Confraternização das Famílias, primeiro evento presencial desde 2020. A festa teve brincadeiras no pátio, jogos na quadra, cantinho da leitura, atividades na sala de artes e a tradicional venda de lanches promovida pelos formandos do 9º ano. Tudo isso, é claro, com boa música.

A orientadora pedagógica Ana Carolina Brofman estava feliz. “Muito bom ver todo mundo. É o retorno da emoção que envolve o olhar, o toque, um dia de celebração”, definiu. Já Fabiana Cyriaco dos Santos, gerente administrativa, ressaltou que os preparativos para a confraternização envolveram a equipe pedagógica e as famílias. “Os pais estavam com muita expectativa para este retorno. Muitos, os que chegaram nos últimos dois anos, ainda não conheciam as nossas confraternizações”.

Ex-alunas presentes

A expectativa não foi só dos familiares. Gisele Vicente, mãe de Elisa, que se formou em 2021, contou que a filha acordou cedo, se preparou e ficou esperando, ansiosa, o passar do tempo. “Veio sozinha, abriu a festa”, disse. O mesmo aconteceu com Alice, filha de Karina Ernsen e minha, Luiz Geremias. Ela também concluiu o Fundamental no ano passado e, se pudesse, teria dormido na sua ex-escola de sexta para sábado. Queria chegar bem cedo e rever amigos e amigas, professores e professoras.

Momento de transição

Cristiane Sinimbu Sanchez, mãe de Ana Luiza, do 7º ano, está na Terra Firme há 6 anos e também estava empolgada com o reencontro. “Muita saudade de vir aqui. É um momento que marca a transição do que vivemos na pandemia para voltarmos a ver as pessoas, ainda com muito cuidado, mas poder de novo viver o ‘olho no olho’”.

Respeito à individualidade e confiança

Audrey Holjeson matriculou os 3 filhos, Tiffany, Adam e Melanie, na Terra Firme, neste ano. A família, que morava nos Estados Unidos, chegou ao Brasil pouco antes da pandemia e acabou ficando. Em 2020 e 2021, a opção foi o homeschooling. “Não nos sentimos confortáveis de pôr as crianças em uma escola naquele momento, pois seria um choque grande para elas, que já haviam mudado de país, vindas de outra cultura, bem no meio de uma pandemia”.

Ela contou que não estava procurando, mas uma amiga lhe falou muito bem da Terra, então resolveu vir conhecer e não se arrepende. “E aí, na hora em que eu entrei aqui, pensei: este lugar vai ajudar meus filhos nesta adaptação de cultura e pós-pandemia. Eles vieram com o ‘pé atrás’, mas logo foram se soltando, se sentiram acolhidos com a confiança que a escola passou. Estão amando. Tem sido uma experiência incrível, são outras crianças. Sou muito grata pelo respeito à individualidade e pelo acolhimento que há na Terra Firme”.

Afeto e incentivo à autonomia

Maxwill Araújo Braga, pai de Liris, do grupo III, foi outro familiar que veio pela primeira vez a uma confraternização na Terra. Comentou que a recepção da equipe pedagógica foi muito afetuosa, o que não o surpreendeu. “É uma característica da escola”, explicou. Depois de olhar em volta de si, apontou para um brinquedo do pátio, o “trepa-trepa”, no qual várias crianças brincavam, e disse ver naquela cena uma síntese do que a Terra Firme propõe a seus alunos e alunas. “O brinquedo é lúdico e colorido, como o ambiente daqui, e desafia, incentiva a desenvolver autonomia e coragem”.

Formandos comemoraram boa arrecadação para a formatura

Os formandos do 9º ano tiveram sucesso com a venda de lanches que arrecada fundos para as comemorações da formatura. Bem antes de terminar o evento, só alguns pedaços de bolo estavam no balcão. Isso aconteceu porque o empenho foi geral. Cada aluno e aluna dividiu tarefas e, já na portaria, Yasmin Cornelsen de Lima apresentava o cardápio a quem chegava.

Boa música no pátio e defesas milagrosas na quadra

A música esteve a cargo de Luciane Alves Ferreira Mendes, ou Miss Lu, professora de Inglês, com uma apresentação vocal afinadíssima e cheia de ritmo. Luiz Ivanqui, amigo da vocalista, acompanhou no violão e Fabricio Ferreira do Amaral, professor de música, tocou acordeon. Enquanto isso, na quadra, adultos, crianças e adolescentes de ambos os sexos disputavam calorosas partidas de futebol. O destaque ali foi o professor de História, Sidinei José da Silva, o Sidão, que jogou como goleiro e levou os atacantes adversários à loucura com suas defesas milagrosas.

5º ano foi ao Museu da Imagem e do Som conhecer a história da comunicação

Escadaria central do edifício histórico, e projetor cinematográfico da década de 1950, movido a carvão. O Palácio da Liberdade, projetado pelo engenheiro Ernesto Guaita no final do século 19 para residência de Leopoldo Weiss, é sede do Museu da Imagem e do Som desde 1989, e Patrimônio Histórico e Cultural tombado pelo Estado do Paraná desde 1977.

O Museu da Imagem e do Som (MIS) recebeu a turma do 5º ano da Escola Terra Firme. A visita foi organizada pela professora Fran Napoleão e contou com a presença da professora de Artes e coordenadora do Ensino Fundamental I, Kelly Cordeiro Munhoz Joaquim. O objetivo foi ilustrar o estudo acerca da comunicação, seus meios e recursos, no projeto “Eu no mundo”.

Indagações surgidas durante as aulas geraram a curiosidade e o interesse de conhecer mais sobre a evolução tecnológica dos meios de comunicação. “O projeto nos levou a reflexões acerca de como nos comunicamos e a visita nos trouxe um pouco de história. Percebemos que a comunicação percorreu diversos caminhos, desde a arte rupestre, com os registros de memória, a escrita, a internet”, explica Fran.

Os alunos foram recepcionados pela pela diretora do museu, Mirele Camargo, e pela coordenadora do setor educativo, Vânia Machado, que apresentou vídeos sobre a história da fotografia e guiou as crianças na visita ao espaço.

Amor à história

A aluna Tarsila Rodrigues Silva Oliveira disse que gosta de objetos antigos, ouve discos de vinil e observou como eram grandes os aparelhos para tocar esses discos. Sua maior satisfação, porém, foi ver como o MIS enriqueceu o seu acervo. “Estou maravilhada. Amo história e estive neste museu quando eu era bem pequenininha. Ele tinha poucos objetos. Agora, volto e vejo tanta coisa! É muito surpreendente, muito legal!”.

Luiz Henrique de Medeiros Zanatta foi mais um aluno que ficou empolgado e explicou que sua família guarda e preserva muitos objetos antigos. Segundo ele, esse gosto “está no sangue”. “Meu avô tem um porão cheio de relíquias. Meu tataravô era professor, o que mais fazia era visitar museus, e meu pai gosta muito de música e tem vários discos que guarda a sete chaves!”.

A exposição “Fragmentos“, conta a história da companhia Teatro de Bonecos Dadá, de Adair Chevonika e Euclides Coelho de Souza.

Aprendizado contextualizado

A professora e coordenadora Kelly conta que os alunos e alunas demonstraram muito interesse em relação ao tema e a visita ao MIS foi pensada para concluir as pesquisas do projeto Eu no Mundo, cujos resultados serão apresentados na Mostra de Projetos. “Esse conteúdo foi trabalhado de forma interdisciplinar, em Artes, História e Geografia, sempre sendo contextualizado, como aqui neste museu”.

A sala anos 80 guarda mobiliário e equipamentos de audiovisual da segunda metade do século 20, como rádios, toca-discos e fitas magnéticas.

Alunas diante da fotografia “Camponês em Araucária/PR, Sr. João Pirogi”, de João Urban, na exposição “Diálogos com o Tempo“, que reúne imagens do acervo do MIS mostrando aspectos da cultura e da história do Paraná, e conta com áudio descrições na expografia.

Ao final da visita, as crianças puderam conhecer o painel de Poty Lazzarotto e grafites realizados por artistas paranaenses no pátio externo do museu.

Recriando o Big Bang com arte

As crianças do grupo II tiveram uma aula diferente. O tema do projeto da turma é “Os dinossauros e o início de tudo” e, assim, com as professoras Natalia Brolesi de Souza e Caroline Cordeiro, foi realizada a “experiência do Big Bang” na disciplina de Artes. Nela, com papel paraná, tinta e algodão em rodelas, alunos e alunas representaram como se deu a expansão do Universo.

Embaixo dos algodões havia tinta e quando as crianças fizeram o “bang” com o pé, pressionando o algodão, a tinta “explodiu”, do jeito que o Universo surgiu, segundo a teoria científica mais aceita. “A gente está trabalhando o período que vai do Big Bang até o aparecimento e desaparecimento dos dinossauros. As crianças estavam questionando, perguntando como tudo surgiu e tivemos a ideia dessa experiência, pois elas já tinham algum conhecimento sobre o tema”, explica a professora.

Túnel do tempo

Durante as aulas, foram realizados jogos simbólicos nos quais as crianças “viajaram” para o espaço. Para essas viagens foram confeccionados meteoros de papel kraft e até almofadas foram utilizadas para representar esses corpos celestes. “Também fizemos um ‘túnel do tempo’ para que pudéssemos viajar por ele e encontrar os dinossauros” diz Natalia.

Ler e escrever: uma invenção realizada ao longo da história humana

Arte rupestre no sítio arqueológico da Cueva de Las Manos, Argentina.

Por Laura Monte Serrat Barbosa. Pedagoga, psicopedagoga, e mestre em Educação.

Bem no início, éramos animais peludos que conseguiam se sustentar sobre duas pernas; mas já possuíamos um tipo de inteligência prática, pois usávamos o que a natureza nos oferecia para tornar nossos espaços um pouco mais confortáveis e para alimentar nossos filhotes. Nossas camas eram feitas de galhos e folhas; nossos talheres eram galhos finos com os quais afundávamos nos formigueiros para trazer as formigas, a fim de alimentar os filhos. Mais tarde, as mãos liberadas do ato de caminhar possibilitaram, também, fazer outras coisas; com isso, produzimos conexões diferenciadas que nos levaram a não somente utilizar os elementos da natureza para buscar a sobrevivência, como também começar a transformar esses elementos em instrumentos. Assim, nossa capacidade de criar e de memorizar a criação, como elementos para novas possibilidades, foi oportunizando uma transformação biológica não somente cerebral, mas em nosso corpo todo.

Nessa caminhada de milhões de anos, a laringe passou a fazer parte da nossa constituição biológica somente há poucos milhares. Foi esse órgão que nos possibilitou criar a linguagem produzida com a articulação dos sons, para além do linguajar, a partir do qual nos comunicávamos com sons guturais e manifestações emocionais expressas pela aproximação corporal.

Isso quer dizer que, somente de 60 mil anos para cá, constituímos nossa possibilidade de falar para comunicar e, a partir daí, iniciar a construção cultural humana e nossa capacidade de simbolizar, ou seja, de colocar algo no lugar da ausência: palavras, por exemplo, com as quais nomeamos construções que conservam a memória, e manifestações como vestimentas, músicas, danças e tantas outras, potencializadas pela nossa possibilidade de comunicação verbal. Assim, nossa inteligência prática ampliou-se e fomos desenvolvendo a capacidade de raciocinar, de inventar, de pensar, de compartilhar ideias, sentimentos, ações e produções, além de muito mais.

Nessa trilha, em diferentes espaços de nosso planeta, há apenas cinco mil anos aproximadamente, foi-se criando a necessidade de construir uma forma mais complexa de simbolizar, registrar e comunicar-se – a Linguagem Escrita.

Muita história rolou para chegarmos até o momento atual, no qual existe uma instituição para ensinar os representantes de nossa espécie a ler e a escrever – a Escola.

A partir de muitas pesquisas, a ciência descobriu que cada um de nós reproduz, em sua história, o caminho percorrido pela espécie humana para chegar a realizar a forma mais complexa de simbolização – a leitura e a escrita. Num espaço bem menor de tempo, as transformações vão também fazendo parte da nossa estrutura física e mental.

No entanto, embora esse caminho tenha sido encurtado no tempo, não deve prescindir das relações, das descobertas de si, do outro, do mundo. Conversar, dialogar, explorar o mundo com os olhos, com os ouvidos, com as mãos, com o olfato, com o paladar e com a emoção fazem parte dessa aprendizagem. Sentir o vento e o calor, comparar o barulho e o silêncio, observar os movimentos e as calmarias, assistir e agir, experimentar e vivenciar são ações necessárias. Ler e escrever o mundo antecede a leitura das letras e sua escrita, pois ler e escrever não se trata de decifrar combinações de letras, mas de ações para compreender e expressar o que vivemos.

Também se descobriu que essa aprendizagem acontece em tempos diferentes, dependendo das interações que as pessoas tiveram na vida até chegar ao momento da utilização da leitura e da escrita. Por isso, alguns já chegam à escola sabendo ler e escrever; outros apresentam condições iniciais; mas há quem precise desenvolver funções anteriores, necessárias para essa aprendizagem, que ainda estão muito embrionárias.

Nesse sentido, há maneiras distintas de pensar sobre esse desenvolvimento: algumas têm como base o treinamento, de fora para dentro, apostando na repetição, sem contar com a motivação e com o envolvimento de quem está ali para aprender; outras acreditam que é só deixar as pessoas em contato com material escrito que, automaticamente, elas vão se interessar e logo estarão lendo e escrevendo; há também a forma que acredita numa combinação dessas duas. Aqueles que já aprenderam a utilizar a leitura e a escrita como instrumento para possibilitar outras aprendizagens aproximam os que ainda não aprenderam, promovendo situações de envolvimento, que mobilizam o interesse, que permitem o entendimento da necessidade desse instrumento em nossa cultura, que promovem a compreensão da função social da leitura e da escrita, assim como da riqueza que ela traz para aquele que pode se aventurar em sua complexidade.

Essa é uma tarefa caminho, e não apenas uma tarefa resultado. Muitas vezes, treinar traz o resultado como aparente aprendizagem, mas não necessariamente como aprendizagem instrumental para todas as situações da vida; por outro lado, deixar ao bel prazer nem sempre tira as pessoas do conforto a ponto de terem vontade de aprender. Provocar, instigar, perguntar e apresentar várias possibilidades são, sem dúvida, ações ligadas a um processo de aprender que envolve os sujeitos que aprendem, as quais constituem o desejo de aprender. Este é combustível permanente para todas as aprendizagens que estarão por vir, para as quais será necessário ter a leitura e a escrita como ferramenta.

Aqui na Escola Terra Firme acreditamos que apropriar-se da leitura e da escrita, ou seja, tornar a linguagem escrita própria, sua, possibilita aprendizagens não apenas conceituais, mas também relacionais, de autoconhecimento, de busca de soluções para os problemas que o mundo apresenta hoje. É uma ferramenta cuja aprendizagem exige colocar o motor do pensamento em ação e exige a realização de relações entre o que se pensa, o que se sente e o que se faz. Significa tomar para si uma ferramenta, a fim de tornar-se autor de sua própria aprendizagem. Para isso, treinar é muito pouco e deixar acontecer é uma ingenuidade.

O que é preciso é aprender/ensinar como um processo, um caminho no qual as questões aparecem e as pessoas vão sendo provocadas a pensar sobre hipóteses, a confirmá-las, a negá-las e a discuti-las; a conhecer o que já se sabe, o que já foi construído e a atualizar para o momento.

A linguagem escrita é dinâmica, assim como os processos de apropriação; ela depende do grupo constituído para aprender junto, do momento histórico, das expectativas, dos envolvimentos, do acompanhamento dos adultos e de tantas outras coisas que fazem parte dos contextos nos quais as pessoas que aprendem estão situadas.

Por isso, na Escola Terra Firme, consideramos importante entender a aprendizagem como aprendência; ou seja, como um percurso histórico que envolve desde nossos ancestrais a nós próprios como personagens dessa trilha, tirando-nos do lugar de expectadores e de cobradores, colocando-nos no lugar de participantes ativos, responsáveis pelo encantamento e pela seriedade que é aprender a ler e a escrever, a tomar posse de uma ferramenta a ser usada para aprender a vida!

Laura Monte Serrat Barbosa. Foto Gilson Camargo.
Laura Monte Serrat Barbosa. Foto Gilson Camargo.

“Dia da Família” reforçou laços entre familiares e escola

No mês de março, os familiares dos alunos e alunas visitaram a Terra Firme. Cada turma teve seu dia e horário e as crianças foram os cicerones, mostrando, com orgulho, o lugar onde estudam. Essa iniciativa tem o objetivo de promover a aproximação das famílias com a escola, aprofundando esse relacionamento e a integração com a equipe pedagógica. Foi chamada, assim, de “Dia da Família”.

“Nos sentimos muito bem acolhidos”

Tiemi Kayamori Lobato da Costa é mãe de Ícaro Lobato da Silva, do primeiro ano. Ela afirma ter sido um dia muito especial. “As crianças ficaram empolgadas para mostrar o espaço delas e nós pudemos conviver um pouco nesse espaço, participando de atividades e brincadeiras”. Ela conversou com a professora Katia Bassetti sobre a experiência de seu filho na escola. “É o primeiro ano do Ícaro na Terra Firme e estávamos muito apreensivos. A Katia contou que, no início do ano, ele estava um pouco mais tímido, mas agora está muito feliz e eu pude perceber isso”.

Segundo Tiemi, logo nas primeiras semanas Ícaro já tinha feito algumas amizades e isso trouxe a certeza de que a Terra Firme foi uma boa escolha. “A escola está acolhendo bem, não só ele, mas também os pais, pois todas vezes que entrei em contato com a secretaria, com a coordenação ou com as professoras, fui muito bem atendida. Além disso, gosto bastante da rotina de reuniões, que faz com que a gente acompanhe as coisas que estão acontecendo. O Ícaro adora ir para a escola e nós nos sentimos muito bem acolhidos”.

Descontração e afeto

As brincadeiras realizadas na quadra esportiva e no gramado foram muito animadas. Os familiares correram, andaram de perna de pau, participaram de corridas do saco e pularam corda. Isso tudo junto com as crianças, em momentos de muita descontração e trocas afetivas.

Ninguém queria ir embora

Katia Bassetti conta que o Dia da Família foi um acontecimento que mobilizou as crianças. “A expectativa foi grande e, na visita, a alegria foi contagiante. Elas pegavam os familiares pela mão e iam mostrando tudo, do pátio à sala de aula, incluindo os ‘cantinhos’, como o dos saberes e o dos cadernos. Juntos, brincaram, pintaram, jogaram e se divertiram. Foi importante para que os pais e mães conhecessem o nosso ambiente e a experiência foi tão agradável que ninguém queria ir embora”.