A iniciativa facilita o envolvimento da família no processo de aprendizagem da linguagem escrita, com a utilização de uma estratégia que permite aos adultos relembrarem a experiência de alfabetização que tiveram no passado e, assim, entender melhor como as suas crianças estão vivendo esse momento.

Publicação em alfabeto cirílico. Comparativamente, assim parece a nossa escrita latina/romana para as crianças antes da alfabetização.

No dia 18 de outubro a Terra Firme organizou mais uma Oficina de Alfabetização, direcionada aos familiares dos alunos e alunas das turmas do 1° ano da Escola. A Oficina acontece anualmente e o objetivo é conscientizar acerca de como ocorre o processo de alfabetização de suas crianças. Com essa integração ao processo pedagógico, a Terra contribui para a participação de toda a família no processo de produção do conhecimento da criança, principalmente na construção da escrita.

As famílias puderam experimentar um pouco da forma como seus filhos e filhas percebem inicialmente o processo de aprender a escrever. São apresentados símbolos que representam as letras do alfabeto para que os familiares possam se colocar no lugar de quem tem um contato inicial com as letras, que são, elas mesmas, símbolos. Eles devem tentar formar palavras utilizando essa nova forma de representação das letras e, com essa experiência, têm a possibilidade de melhor compreender o processo de alfabetização. Podem, desse modo, estar mais próximos das crianças para desvendar essa nova possibilidade de expressão que elas estão descobrindo.

A ideia, assim, é fazer reviver nos adultos a situação de aprendizado básico do escrever e ler, propondo que, compreendendo melhor a situação na qual as crianças vivenciam no aprendizado da escrita, torna-se mais fácil ajudar no desenvolvimento que se dá durante esse processo.


Mariana Batelli, professora do 1° ano.

Envolvimento produtivo – Segundo a coordenadora pedagógica da Educação Infantil da Terra Firme, Camila Guitti Luppi, a Oficina é uma oportunidade para que os presentes relembrem como se deu a alfabetização quando eram crianças, promovendo uma saudável empatia em relação ao momento em que os filhos se encontram. “Os símbolos com os quais os adultos têm contato na Oficina são desconhecidos para todos, assim como as letras também o são no momento em que a criança começa a ter contato com elas. Possibilitar aos familiares codificar e decodificar códigos, levantar hipóteses, trabalhar com as tentativas de leitura e escrita, os faz percorrer o mesmo caminho cognitivo das crianças do primeiro ano”, explica.

Camila afirma a importância do trabalho desenvolvido por Emilia Ferreiro e Ana Teberosky sobre a gênese da língua escrita. Ambas contribuíram para o entendimento do processo de alfabetização, chamando a atenção para a criança como um ser cognoscente, com ideias próprias sobre a escrita, capaz de construir hipóteses que têm relação com as suas elaborações mentais. “Esses conceitos são importantes para que o professor alfabetizador entenda o processo de aprendizagem da escrita em cada criança, podendo, assim, criar estratégias para mediar a relação entre a criança e o ato de escrever”, diz Camila. Ela explica ainda que antes a ênfase estava quase que somente nos procedimentos de ensino, como se as crianças não trouxessem nada, nenhum conhecimento prévio acerca da escrita. A partir das fases da escrita elaboradas por Emília Ferreiro, tornou-se possível compreender melhor o processo da construção e aquisição da escrita pela criança.

Segundo a coordenadora, na Oficina também é apresentado ao público o livro “O Menino que aprendeu a ver”, da escritora Ruth Rocha, que narra de forma divertida a trajetória de uma criança e sua imersão no mundo letrado.


Francesca Tockus, professora do 1° ano.

Texto: Karina Ernsen
Fotos: Gilson Camargo

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