Com a colmeia feita em 3D, alunos e alunas da escola podem estudar a formação e desenvolvimento de uma comunidade de abelhas e ter acesso a um laboratório do ecossistema.

Desde novembro do ano passado, a Escola Terra Firme tem trabalhado na implementação do Projeto “Colmeias Urbanas”, com abelhas Jataí, que não têm ferrão. Em março, a colmeia foi instalada, batizada de ‘Amelinha” e já está rendendo mel e possibilitando às crianças conhecer mais sobre os processos naturais. A iniciativa foi desenvolvida em parceria com o Núcleo de Design e Sustentabilidade da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e complementa, junto com a horta e a estufa, um modelo de ecossistema que tem servido de base para que as crianças compreendam os ciclos da natureza.

Crianças descobrem o funcionamento de uma colmeia olhando lá dentro.

Todos os estudantes da escola têm acesso à colmeia e podem usá-la como base em seus estudos. Os alunos e alunas do primeiro e terceiro ano formularam seus projetos com referência à observação das abelhas no ecossistema composto pela colmeia, a horta e o jardim com as flores que fornecem o pólen necessário ao trabalho das “jataizinhas”. A experiência é rica e permite que se conheça melhor como se formam os ciclos da vida, descobrindo, ainda, como é a vida no interior de uma colmeia, como se faz o favo e como as abelhinhas recolhem o pólen e realizam, pelo processo de polinização, a reprodução das flores. A professora Stephania Padovani, da UFPR, tem vindo à escola três vezes por semana para alimentar as abelhinhas, processo que é feito em companhia dos alunos e alunas da Terra Firme. “Vamos repetir este processo até setembro, quando as jataís já estarão ambientadas e terão autonomia”, explica.

Carmynha Santos é professora do Integral, auxilia no 3º ano e é responsável pela colmeia, estufa e horta. Ela acompanha desde o início a implantação do projeto e a evolução do processo de aproximação das crianças, professores e professoras com a colmeia (na imagem acima, atividade realizada em novembro de 2017 – https://bit.ly/2pLqGYm). A iniciativa já está influenciando o aprendizado e demonstrando a importância de se cuidar do meio ambiente. “A presença da colmeia ensina, de forma prática, a importância da preservação das abelhas, plantas e flores, porque precisamos de tudo isso integrado para que a natureza faça seu trabalho em um ecossistema equilibrado”, diz. Além disso, segundo Carmynha, a colmeia enriquece os projetos, possibilitando pesquisar e conhecer, nas aulas de biologia, a germinação e a lógica dos ecossistemas e, nas de geografia, o estudo das comunidades, como está fazendo o 1º ano em seu projeto.

Semeando o conhecimento

A professora Maria Olivia Somma Pagot, do 3º ano, conta que durante todo o ano a turma estudará os seres vivos. No primeiro bimestre o Projeto tem o nome de “Semeando” e o quintal tem servido que as crianças estudem a noção de ecossistema. “A colmeia e todo o quintal da escola são um verdadeiro laboratório. Ali podemos explicar todo o ciclo da vida e, no momento, estamos estudando a flor e suas partes, com as mudinhas na estufa, as flores plantadas na horta e as abelhinhas, que mostram na prática para o que serve o pólen, como elas o levam para a colmeia e como fazem o favo, sempre semeando a vida no meio ambiente em torno. As crianças observam cada detalhe, com muita curiosidade. É um conhecimento que ficará para toda a vida”, explica a professora.

Já nas duas turmas do primeiro ano, as professoras Mari Batelli e Fran Tockus usam a colmeia para explicar temas relacionados às moradias e à diversidade encontrada nas comunidades. Mariana conta que já estavam trabalhando com os tipos de moradia e, com a Amelinha, as crianças estão estudando como as abelhas se organizam na colmeia. “Com a Amelinha conseguimos explicar de forma lúdica os tipos de sociedade. A Stephania, professora da UFPR que acompanha o projeto, veio até as salas e explicou para as crianças como as abelhas se organizam. Além disso, deu para as crianças o mel das Jataís e o favo para elas cheirarem, explicou para o que serve o pólen e como as abelhas o usam para fazer mel. Depois, vimos a colmeia aberta, sendo que isso já está servindo de base para várias atividades. As crianças ficaram eufóricas ao ver as abelhas dentro da colmeia. Temos programadas atividades para registro do que está sendo aprendido sobre moradias e organização social”, diz.

Alunas do 1º ano provando o mel das abelhas Jataí.

As turmas do primeiro e do terceiro ano estão muito animadas. As alunas Clarinha, Gabriela, Giovana e Havana, do primeiro ano, contam que as abelhinhas não fazem mal, pois não têm ferrão, e afirmam que gostam muito delas. “A gente precisa cuidar das abelhinhas, porque elas são importantes para o meio ambiente e fazem mel, que nos deixa com saúde”, falou Clarinha. E Lorena, do 3º ano, conta que já foi com a Stephania dar comidinha para as abelhinhas. “Nós demos um preparado com um pozinho e vitamina, é muito importante cuidarmos da natureza, precisamos da natureza, porque é colorido, se não tiver natureza vai ficar sem cor, muito chato”.

Texto: Karina Ernsen
Fotos: Gilson Camargo

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