Os alunos e alunas do ensino fundamental II trabalham com a metodologia de projetos e se organizam por meio de mapas conceituais, assim têm mais facilidade de compreensão e conservam o aprendizado para além da escola

Ao adotar a metodologia de trabalho de projeto, professores, professoras, alunos e alunas constroem uma relação horizontal e estimulam o debate e o interesse pela pesquisa entre os alunos do ensino Fundamental II, os que estão entrando na pré-adolescência.

Segundo a coordenadora e idealizadora da Escola Terra Firme, Sandra Cornelsen, na metodologia de projetos o tema de pesquisa é escolhido pelo grupo e a proposta é estabelecer uma dúvida inicial para o trabalho e procurar encontrar as evidências que podem esclarecê-la. “Não há exatamente um método preestabelecido, mas sim um conjunto de condições a serem respeitadas. A pesquisa conta com a participação de todos os alunos, desde a fase inicial de coleta de dados, a partir da qual serão estabelecidas relações de conhecimentos, até alcançar o objetivo final. O professor, com o auxílio do coordenador pedagógico, irá construindo junto com as crianças essas relações e, nesse processo, serão incluídos no mapa conceitual os conteúdos a serem trabalhados”, explica.

O professor como mediador

Sandra diz que ao trabalhar com a metodologia de projetos o professor deixa de ser apenas um transmissor de conteúdo, mas, em vez disso, torna-se um pesquisador que, junto com o grupo de alunos, se empenha na tarefa proposta. “Já os alunos e as alunas, ocupam o lugar do sujeito do processo de aprendizagem, deixando para trás a passividade proposta pela pedagogia clássica. A escola é um espaço de incentivo à aprendizagem, os alunos e alunas assumem o papel do pesquisador e constroem o seu próprio conhecimento, questionando saberes prontos e preestabelecidos”.

A aluna do 6º ano, Giulia Sigel, começou a estudar pelo método de projetos este ano, ao dar início na Escola Terra Firme. Ela conta que é muito mais eficaz e divertido aprender, pois o aluno participa das atividades e insere conteúdo ao projeto. “A gente aprende com muito mais facilidade do que com as provas tradicionais, pois tudo que conversamos e participamos fica na memória”. Ela diz que o projeto que mais gostou até agora foi o Geração. “Pudemos debater sobre temas que nos interessam e foi muito divertido trabalhar com heróis e heroínas, intercalar inglês, artes e matemática desenvolvendo esses personagens. Também gostei muito da Arte Rupestre, montamos a maquete usando matemática, artes e história, são assuntos interessantes e aprendemos de uma forma divertida, tudo faz sentido”, comemora Giulia.

Bruno Câncio, é aluno do 8º ano, já estudou em diversas cidades e colégios. Para ele o mais bacana é poder estudar diversos conteúdos sem monotonia. “É muito interessante, sempre exploramos diferentes assuntos, nunca é a mesma coisa, escrevemos os assuntos que queremos nos aprofundar, debatemos e votamos, o tema mais votado será o Projeto do bimestre. O que mais gostei foi o “Nossas Questões”, pois até conteúdos de outros bimestres, que ficamos com dúvidas, puderam ser melhor explorados. E um assunto puxa outro, fazendo com que tudo tenha sentido, sendo aprendido de forma leve e interdisciplinar, pois dentro de uma matéria se aprende outras”. Bruno conta que um dos projetos que mais o marcou desde que entrou na escola, em 2016, foi Metamorfose, onde foi feita a analogia das mudanças dos insetos e outros animais com as próprias mudanças referentes à idade.

Traçando e percorrendo mapas

Para desenvolver e visualizar os projetos a Escola Terra Firme adota o Mapa Conceitual, assim, tanto os alunos e alunas, como professores e professoras desenham os objetivos, como serão realizados e, durante o processo o complementam, transformando o projeto numa representação gráfica do aprendizado, uma rede de conceitos que vão se ligando e relacionando em um trabalho coletivo de construção que possibilita a ampliação dos conhecimentos dos alunos, e da turma como um todo, na medida em que esses conceitos vão sendo mais conhecidos e relacionados entre si.

Os mapas conceituais surgiram em meados da década de 1970 e são de autoria do pesquisador norte-americano Joseph Novak. A base teórica dos mapas corresponde à teoria cognitiva de Aprendizagem Significativa, formulada por outro pesquisador norte-americano, David Paul Ausubel (1918-2008). Ele dizia que, quanto mais sabemos, mais aprendemos, e afirmava: “O fator isolado mais importante que influencia o aprendizado é aquilo que o aprendiz já conhece”.

Sandra acrescenta que esta é uma técnica significativa e não memorística, que possibilita a ampliação da rede de conhecimentos, pois, alunos e professores passam a “conhecer” mais sobre determinado assunto. Os mapas são traçados por alunos e professores desde o início do semestre e, ao final, mostram o caminho conceitual que o projeto tomou, auxiliando também a avaliação individual e do grupo.