Sabores do Nordeste: uma vivência entre o 1º e o 7º ano
Aproveitando a curiosidade das crianças, nas últimas semanas mergulhamos de cabeça na cultura nordestina e, literalmente, sentimos até o seu sabor!

O ponto alto desse período foi a integração entre o 1º e o 7º ano: uma experiência de troca que uniu afetividade e aprendizagem. Os “grandes”, como as crianças carinhosamente chamam os estudantes do Fundamental II, também estavam investigando o Nordeste na disciplina de Geografia. Daí surgiu a pergunta: por que não convidá‑los a serem parceiros no processo de aprendizagem dos pequenos? A vivência mostrou, de forma concreta, uma educação humanizadora, em que quem ensina aprende e quem aprende também ensina.
Foi exatamente isso que vimos acontecer: os mais velhos, ao se colocarem no papel de mediadores, aprenderam enquanto ensinavam; e os pequenos, por sua vez, ensinaram enquanto aprenderam sobre si mesmos e sobre o prazer de descobrir. Há algo muito bonito nisso: aprendermos a cuidar uns dos outros. Aqui, todos são nossas crianças e os adultos também se cuidam.

Nessa proposta de ensino entre pares, o 7º ano criou jogos e brincadeiras inspirados no contexto nordestino. Um deles foi um grande caça‑palavras com os estados da região, que as crianças já conheciam. Outro propôs uma divertida competição entre as turmas: dois cestos e mais de sessenta figuras com elementos culturais de diferentes regiões do Brasil. A missão era identificar o que pertencia ao Nordeste e o que não pertencia. Além de reforçarmos o aprendizado sobre essa região essencial do país, revisitamos referências de outras partes do Brasil estudadas ao longo do ano, construindo pontes de sentido entre os conteúdos.


E, mesmo com um time vencedor, nem deu tempo de alguém ficar triste, porque logo chegou o momento mais esperado daquela quarta‑feira: o lanche na feirinha, com uma deliciosa tapioca nordestina! As crianças se divertiram, brincaram e interagiram umas com as outras, criando memórias sensíveis e duradouras com a escola e seus pares, enquanto aprendiam a partir da experiência. Como nos lembra Piaget, o aprendizado nasce da ação: é com o corpo, pela experimentação e pelo jogo simbólico, que a criança constrói seus primeiros esquemas de conhecimento.

Foi por meio dessa ação concreta que as crianças construíram esquemas, experimentaram, compararam, classificaram e trocaram ideias, exatamente o que a aprendizagem ativa valoriza. Nossa saída pedagógica, além de saborosa, contribuiu de forma expressiva para o desenvolvimento cognitivo, social e afetivo. Também ofereceu contexto para o trabalho com cálculo de maneira concreta, já que elas próprias pagaram pelo que consumiram na feirinha. Situações assim aproximam a criança da função social do número, ajudando‑a a compreender a Matemática como uma linguagem viva, presente no cotidiano e útil para resolver problemas reais.

Ao final, ficou evidente que aprender é muito mais do que acumular informações: é viver experiências que transformam. Quando a escola se torna um espaço de encontros, partilhas e descobertas, o aprendizado ganha corpo, sabor e sentido.
Isso é Terra Firme.

Fotos: Gilson Camargo