38 anos da Escola Terra Firme e o legado de Sandra Cornelsen

38 anos da Escola Terra Firme e o legado de Sandra Cornelsen

A Escola Terra Firme celebra 38 anos de história e homenageia Sandra Cornelsen por seus 61 anos dedicados à educação e à formação de gerações.

A Festa de Rua de 3 de outubro celebrou os 38 anos da Escola Terra Firme e homenageou Sandra Cornelsen por uma trajetória de 61 anos dedicada à educação. Mais do que revisitar o passado, o encontro revelou a força de uma comunidade que continua escrevendo essa história todos os dias.

Há escolas que atravessam o tempo preservando suas referências. Outras conseguem fazer mais do que isso: mantêm sua essência e, ao mesmo tempo, continuam se transformando.

Foi esse movimento entre memória e futuro que marcou a tradicional Festa de Rua da Escola Terra Firme, realizada em 3 de outubro.

A celebração dos 38 anos da escola ganhou um significado especial ao reconhecer também os 61 anos de dedicação à educação de Sandra Cornelsen, fundadora da Terra Firme e uma das figuras centrais na construção de sua identidade pedagógica.

Mas a cena daquele dia dizia algo que os números, sozinhos, não conseguem contar.

Sandra estava cercada por crianças, famílias, educadores e colaboradores. Diferentes gerações reunidas no mesmo espaço, celebrando não apenas aquilo que já foi construído, mas uma história que continua acontecendo.

Uma escola que nasceu de uma ideia de educação

Fundada em 1988, a Terra Firme nasceu de uma concepção de escola que colocava a criança e seu desenvolvimento no centro do processo educativo.

Pedagoga e mestre em Educação pela UFPR, pós-graduada pela London University em desenvolvimento infantil e psicomotricista relacional, Sandra construiu sua trajetória a partir de um olhar para a educação que ultrapassa a transmissão de conteúdos.

Desde o início, a proposta esteve ligada ao respeito à individualidade, à experiência, às relações humanas, à autonomia e à possibilidade de aprender investigando o mundo.

Ao longo dos anos, essa visão encontrou novas formas de se expressar.

A escola incorporou conhecimentos, aprofundou sua Metodologia de Projetos, acompanhou transformações na sociedade e respondeu aos novos desafios apresentados por cada geração de estudantes.

A permanência da Terra Firme não está, portanto, em repetir uma mesma escola durante 38 anos.

Está na capacidade de preservar princípios e continuar fazendo novas perguntas.

O que permanece quando uma escola se transforma

Quase quatro décadas representam muitas mudanças.

Mudaram as crianças, as famílias, as tecnologias, os modos de comunicação e as demandas colocadas para a educação.

A Terra Firme também mudou.

Ainda assim, algumas escolhas continuam reconhecíveis em sua trajetória: olhar para cada estudante em sua singularidade, valorizar a curiosidade, estabelecer relações entre diferentes conhecimentos e compreender o professor como alguém que acompanha, provoca, escuta e amplia possibilidades.

Essa forma de compreender a educação pode ser sintetizada em uma frase de Sandra que atravessa sua história profissional:

“Queremos formar pessoas pensantes, que participem da sociedade de forma ética e transformadora.”

É uma afirmação que fala de conhecimento, mas também de responsabilidade.

Formar alguém para pensar significa criar espaço para perguntar, investigar, argumentar e construir autonomia. Formar para participar significa reconhecer que aquilo que se aprende dentro da escola também precisa ajudar a compreender e atuar no mundo.

Uma história que nunca foi construída sozinha

Os 61 anos de trajetória de Sandra ajudam a compreender a origem da Terra Firme. Mas a própria Festa de Rua mostrou algo igualmente importante: uma escola não se constrói pela atuação de uma única pessoa.

Ela se constrói coletivamente.

Ao longo desses 38 anos, professores transformaram princípios pedagógicos em experiências concretas de aprendizagem. Colaboradores ajudaram a sustentar a vida cotidiana da escola. Famílias confiaram, participaram e contribuíram com diferentes momentos dessa trajetória.

E cada nova criança que chegou à Terra Firme acrescentou algo que antes não existia.

Por isso, a imagem de Sandra em meio à comunidade durante a comemoração tem uma força particular.

Ali estavam a fundadora e aqueles que hoje dão continuidade à escola.

Não como espectadores de uma história pronta, mas como participantes dela.

A presença de todos é parte do que mantém uma instituição educacional viva. Uma comunidade se fortalece quando existe espaço para participar, colaborar, construir vínculos e reconhecer que cada pessoa contribui, de alguma maneira, para aquilo que a escola se torna.

O legado como continuidade

É comum associar a palavra legado àquilo que alguém deixa para trás.

Na educação, talvez seja justamente o contrário.

Um legado permanece vivo quando continua produzindo movimento.

Está no professor que encontra uma nova maneira de provocar uma investigação. Na criança que faz uma pergunta que ninguém havia feito antes. Na família que participa da vida escolar. No colaborador que cuida dos espaços e das relações. Nos estudantes que levam para outros lugares aquilo que aprenderam.

Foi isso que a celebração dos 38 anos tornou visível.

A história iniciada por Sandra Cornelsen em 1988 não chegou até aqui intacta. Chegou viva.

Transformada pelas pessoas que passaram pela escola, pelas descobertas realizadas e pelas novas perguntas que continuam surgindo.

Uma celebração voltada também para o futuro

 

Aniversários costumam convidar a olhar para trás.

Na Terra Firme, a comemoração também ofereceu outra direção.

Ao ver Sandra cercada por crianças, é difícil não pensar no encontro entre duas pontas da mesma história. De um lado, mais de seis décadas dedicadas a pensar e fazer educação. Do outro, estudantes que estão apenas começando a descobrir os próprios caminhos.

Entre eles, uma comunidade inteira fazendo essa história continuar.

É talvez essa a imagem que melhor representa os 38 anos da Terra Firme.

Uma escola consciente de suas raízes, mas que não pretende viver apenas delas.

Uma escola que reconhece sua trajetória e, ao mesmo tempo, continua aberta às perguntas que o futuro apresenta.

Porque a força de uma história não está apenas no tempo que ela atravessou.

Está na capacidade de continuar inspirando novas histórias.

Grandes histórias começam em Terra Firme.

 

 

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