Da pesquisa à escultura: crianças investigam a vida marinha  e transformam resíduos em arte

Da pesquisa à escultura: crianças investigam a vida marinha e transformam resíduos em arte

Crianças do 2º e 3º anos pesquisam a vida marinha e transformam resíduos em esculturas para refletir sobre a poluição dos rios e mares.

Uma conversa sobre a nascente do Rio Amazonas levou as crianças do 2º e 3º anos a olhar para um problema que percorre um longo caminho: o resíduo que chega aos rios e pode alcançar os mares. A partir dessa investigação, a turma passou a pesquisar a vida marinha e encontrou na arte uma forma de compreender e comunicar questões relacionadas à preservação das águas.

A proposta começou nas conversas das manhãs do período Integral, quando as crianças discutiam questões ambientais, como as queimadas na Amazônia e a preservação das nascentes. Ao conhecerem a trajetória do Rio Amazonas, desde sua nascente no Peru até o mar, surgiu uma nova pergunta: o que acontece com os resíduos que chegam aos rios durante esse percurso?

Foi a partir dessa questão que a investigação ganhou novos caminhos.

As crianças passaram a pesquisar diferentes espécies e seus habitats. Tartarugas-marinhas, arraias, tubarões-baleia, estrelas-do-mar e peixes fizeram parte das buscas realizadas pela turma, que também investigou os impactos da poluição nos ecossistemas aquáticos.

Ao longo do processo, diferentes áreas do conhecimento passaram a se conectar. A geografia do Rio Amazonas abriu caminho para questões ambientais, a pesquisa aproximou as crianças da vida marinha e a arte tornou-se uma linguagem para expressar e compartilhar aquilo que estavam descobrindo.

 

O material reciclável virou matéria-prima

As descobertas da pesquisa passaram, então, a orientar o fazer. Tampinhas plásticas, sacolas, papelão, jornais e tubos de papelão, materiais que poderiam ser descartados, foram incorporados ao processo de criação das crianças.

A turma participou de uma vivência tátil com esses materiais e produziu polpa de papel e papel machê. Ao longo do processo, as crianças prepararam a massa, peneiraram, modelaram, cortaram, colaram e pintaram, experimentando diferentes texturas, técnicas e possibilidades de transformação.

O trabalho também envolveu pesquisas com notebooks, produção coletiva e escolhas relacionadas às formas, cores e características dos animais estudados.

Aos poucos, parte da biodiversidade pesquisada ganhou presença nos espaços da escola. Um polvo gigante foi construído com papéis, jornal, papelão, fios e tampinhas. As tartarugas-marinhas ganharam diferentes tamanhos e foram produzidas com papel, fita crepe, polpa e tintas. Já os recifes de corais foram recriados com rolos e tubos de papelão revestidos com papel machê colorido.

Mais do que reproduzir animais, as crianças precisaram observar características, fazer escolhas e encontrar maneiras de representar aquilo que haviam conhecido por meio da pesquisa.

Pesquisar para compreender

Ao longo do projeto, as crianças também construíram relações entre o descarte de resíduos e a vida dos animais marinhos.

Algumas descobertas apareceram nas próprias falas da turma:

“A tartaruga confunde a sacola de plástico com água-viva e passa mal quando come.”

“Se a gente joga o lixo no chão da rua, a chuva leva pro rio e depois vai parar direto na casa do peixe.”

“O canudinho e a tampinha não pertencem ao mar, machucam os bichinhos.”

As falas mostram como a pesquisa foi ganhando significado para as crianças. O problema ambiental passou a ser relacionado aos animais, aos rios, ao mar e às escolhas humanas sobre o descarte dos resíduos.

Ao mesmo tempo, a produção das esculturas colocou diferentes conhecimentos em ação. As crianças pesquisaram, observaram características dos animais, trabalharam com materiais, experimentaram técnicas e construíram coletivamente uma forma de comunicar aquilo que estavam descobrindo.

Nesse percurso, a arte não apareceu apenas como resultado final. Foi também uma maneira de investigar, experimentar e tornar visível o que a turma havia aprendido.

As esculturas materializam parte dessas descobertas, mas o percurso revela uma aprendizagem ainda maior. 

Ao investigar de onde vêm os resíduos, compreender como eles chegam aos rios e perceber seus impactos sobre outras formas de vida, as crianças começam a reconhecer que escolhas aparentemente pequenas também fazem parte de relações muito maiores.

É quando uma pergunta sobre um rio leva ao mar, o mar leva aos animais e os animais levam a uma reflexão sobre nossas próprias atitudes que a aprendizagem deixa de ser apenas informação e passa a transformar a maneira de olhar para o mundo.

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